(por João Lemes) – Sexta, 07, foi o Dia Mundial da Saúde, com foco na depressão. Se você não teve, cuide-se, um dia poderá ter. Portanto, quando ela chegar, o importante é estar preparado. Como já passei por isso, aqui dou seguimento a esse artigo para ajudar quem sofre.
A recaída
Me considero determinado, que adora desafios. Um jornal é uma grande e divertida luta. Como o meu tempo era escasso e nos fins de semana precisava trabalhar no meu jornal, no Expresso (Salto do Jacuí), acabei ficando sem poder descansar, daí aquele estresse medonho.
Assim que pude me recuperar desse mal, veio outro pior, a dita depressão. Tudo por circunstância dos medicamentos. Dizem que reviver o passado é sofrer duas vezes, nem por isso deixarei de contar que passei muito mal. Cada alvorecer representava uma tortura a mais. Só o que eu queria era morrer.
Hoje eu sou capaz de medir o que sente um drogado ao largar o vício, um ser em depressão profunda. O sujeito foge das pessoas como o diabo da cruz. Mergulha num abismo sem querer voltar à tona. Vai definhando de tal modo, que uma bala na cabeça seria o melhor remédio.
Digo isso sem medo de estar fazendo apologia ao suicídio, mas para contar como foi que eu venci a mim mesmo, é preciso usar tal palavreado. Preciso contar como foi que eu fiz para me livrar daquele mal da alma, daquela dor invisível que me corroía a cada hora.
O mal pelo qual passei me fazia sofrer duplamente ao chegar em casa e ver meu filho ainda pequeno. Sabia que ele dependia de mim e isso me deixava ainda mais triste e abatido, fraco, ansioso. Por raras vezes eu ficava alegre e, como se alguém me desligasse, caía na mais profunda angústia.
Uma vez, abandonei o serviço que fazia verificando a impressão do jornal O Semanário lá no Diário Serrano, e saí pelas ruas de Cruz Alta em completo desatino. Quase desmaiei em pleno calçadão. Naquele momento, pensei em todos. Na minha mãe, irmãos, amigos… mas foi o pensamento na Suzana que me fez levantar e pedir ajuda numa farmácia.
Para abreviar o tempo tenebroso que passei, mais de um ano de sofrimento, escondendo a dor da esposa e do filho, até dos amigos, li muito e virei vegetariano.
Acabei me unindo a uma turma de amigos ligada aos grupos de Carismáticos da Igreja Católica. Foram eles, a família e os amigos que me ajudaram. No fim das contas, eu sabia mais sobre estresse e depressão tanto quanto um terapeuta.
Quando não restou nada daquela maldita dor da alma, me dando por curado de todo, resolvi fincar raízes na Terra dos Poetas e enfrentar os gigantes que se levantaram contra mim. E não foram poucos. Dar vida ao Expresso em Santiago e região foi outro desafio. E por falar em desafio, todos os dia temos um.
Obs. A minha depressão foi em decorrência do estresse. Então, deixo claro que ela pode surgir por outras várias razões. Se ela chegar, lembre-se de procurar ajuda porque amanhã tudo será melhor.


