‘Abin paralela’ de Bolsonaro monitorou promotora do caso Marielle, diz Moraes

A afirmação consta na decisão do ministro que autorizou buscas contra Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin

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O ministro Alexandre de Moraes, em uma decisão que autorizou buscas e apreensão contra Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), afirmou que houve monitoramento ilegal de uma promotora do Rio de Janeiro, responsável pelo caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

A ação está relacionada a uma estrutura de inteligência paralela que teria funcionado durante a gestão de Ramagem, supostamente a serviço de interesses políticos.

Documentos relacionados ao caso da promotora compartilham a identidade visual de outros considerados apócrifos e elaborados por essa estrutura paralela.

A promotora não foi nomeada especificamente, mas Simone Sibilio e Letícia Petriz foram as que integraram a força-tarefa do caso.

Marielle e Anderson foram mortos em 2018, e o ex-PM Ronnie Lessa, acusado de ser o executor, firmou um acordo de delação premiada que ainda precisa de homologação pelo STJ.

A Polícia Federal também investiga se a Abin na época de Bolsonaro usou o software espião FirstMile para produzir relatórios sobre ministros do STF e adversários políticos do ex-presidente, incluindo o ministro Gilmar Mendes e o ex-governador do Ceará, Camilo Santana.

A operação Vigilância Aproximada, autorizada por Moraes, apura a ação de uma organização criminosa dentro da Abin, que fazia monitoramento ilegal utilizando geolocalização sem autorização judicial.

Sete policiais federais foram afastados dos cargos públicos por sua participação.

A ‘Abin paralela’ teria colocado em cargos de chefia no Centro de Inteligência Nacional (CIN) servidores e policiais federais próximos a Ramagem e à família Bolsonaro.

Ramagem foi apelidado de “Abin paralela” e investigações indicam que ele pode ter sido chantageado por dois oficiais da Abin com informações sobre o uso do software espião.

As evidências obtidas na operação Última Milha, que também investigou o uso do FirstMile, sugerem que essa estrutura clandestina produziu informações para fins políticos e pessoais e possivelmente interferiu em investigações federais. (UOL)

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