
Santo Antônio da Partulha – Carmelindo Gomes de Freitas obteve vaga em História na Universidade Uniasselvi, por ter atingido uma boa nota no Enem. A inscrição foi realizada por um único motivo: “Não me sentia completo. Hoje, o meu ser transborda de alegria”, disse. Pela idade avançada, que o coloca no grupo de risco ao coronavírus, ele deverá estudar no sistema remoto.
A lida na roça sempre foi motivo de orgulho para a família, entre as pioneiras na fabricação de rapaduras. Mais tarde, sua saúde ficou debilitada. Confiante de que poderia mudar o destino, o agricultor seguiu para a entrevista de emprego. Na sala da companhia recebeu um formulário, documento que exigia nome, endereço e outros dados. As lacunas foram compreendidas. Ele sabia ler, não sabia era desenhar as palavras.
“Fiquei frio quando ele entregou o papel. Levei três dias para preencher aquela ficha. Fiquei muito triste”, relembra.
Mesmo analfabeto, ele foi contratado, permanecendo 17 anos na fábrica. No período, treinava a caligrafia com o dedo, no ar, como se o espaço fosse uma folha em branco que não oferece risco de erro.
Atualmente com 85 anos, Carmelindo diz com orgulho que alcançou domínio sobre as letras: 15 anos atrás, concluiu os ensinos Fundamental e Médio pelo sistema de educação de jovens e adultos. (Zero Hora)



