“Uma surra, uma covardia”, afirmou uma testemunha

Após quatro dias de julgamento, um réu foi condenado e dois foram absolvidos pelo ataque a judeus no bairro Cidade Baixa, em 2005. Leandro Maurício Patino Braun foi condenado por tentativa de homicídio duplamente qualificado. Os jurados afastaram a qualificadora de meio cruel. A pena é de 12 anos e 8 meses e 13 dias de prisão em regime inicialmente fechado.
Foram absolvidos Valmir Dias da Silva Machado Júnior e Israel Andriotti da Silva. Os três respondiam por tentativa de homicídio qualificado contra um dos três estudantes agredidos. Em relação aos outros dois, o crime passou para lesão corporal e prescreveu.

Outros seis já foram submetidos a julgamentos anteriores – além de um adolescente, que foi submetido à medida socioeducativa. Cinco deles foram condenados por tentativa de homicídio e um deles por lesão corporal, mas deste último foi extinta a punibilidade, pelo fato de o crime já ter prescrito. (GZH)
OS OUTROS JULGAMENTOS
- Em 15 de setembro de 2018, Thiago Araújo da Silva e Laureano Vieira Toscani foram condenados por tentativa de homicídio e duas lesões corporais a 13 anos de prisão, e Fábio Roberto Sturm, a 12 anos e oito meses.
- Em 23 de março de 2019, Daniel Vieira Sperk e Leandro Comaru Jachetti foram sentenciados a 14 anos de prisão. O mesmo Conselho de Sentença desclassificou a tentativa de homicídio imputada a um sexto réu para lesões corporais e foi declarada extinta a punibilidade do crime por prescrição.
- Cinco réus não foram pronunciados pela tentativa de homicídio e, portanto, não serão julgados pelo Tribunal do Júri.

O ataque aconteceu em 8 de maio de 2005, nas imediações de um bar na rua General Lima e Silva, na Cidade Baixa. Por volta das 2h, Rodrigo Fontella Matheus, Edson Nieves Santanna Júnior e Alan Floyd Gipsztejn estavam em pé, na calçada, quando foram cercados pelo grupo. Foram agredidos, com socos e pontapés, e dois deles atingidos por golpes de faca. Um deles teve ferimentos mais graves e precisou permanecer hospitalizado.
A testemunha afirmou que os agressores usavam coturnos e fardas camufladas. Santos contou que quando viu, uma das vítimas já estava no chão. Ele disse que algumas pessoas do grupo chutavam a cabela dela e que os ataques eram incessantes. Ele salientou que o agredido usava quipá — uma cobertura para a cabeça utilizada pelos judeus como sinal de humildade, simbolizando que Deus está acima de tudo.



