
A intolerância escancarada segue fazendo vítimas pelas “listas de boicote”, criadas por pessoas que desconhecem o significado da palavra respeito. Até entidades reconhecidas como a Apae de Ijuí, entraram na mira dos intransigentes. A matéria é de Juliana Bublitz (Zero Hora)
- Essas listas andam circulando via WhatsApp em diferentes regiões do Estado e seguem o mesmo padrão: condenam de forma criminosa, estabelecimentos comerciais, organizações da sociedade, empresas e pessoas físicas (profissionais liberais e autodidatas) por suposto posicionamento político classificado como “esquerdista” ou pela falta de apoio explícito ao atual presidente Bolsonaro.
Há relatos de comerciantes mencionados que sequer compareceram às urnas ou que jamais votaram em Lula. Há também situações em que instituições inteiras foram “condenadas”.
Os prejudicados estão manifestando indignação e tomando providências legais. É o caso da Apae de Ijuí. A instituição emitiu nota de repúdio para dizer o óbvio: que é uma entidade apartidária e que “desde o início de sua constituição sempre contou com o auxílio de todos os partidos políticos nas mais variadas esferas de governo”. Segundo a nota, as pessoas que atuam na instituição nutrem suas próprias convicções e isso nada tem a ver com o posicionamento da entidade, que merece ser respeitada, inclusive pela história que construiu.
“Fomos pegos de surpresa, porque em nenhum momento a Apae foi a favor ou contra um dos candidatos. Ficamos muito tristes com tudo isso. Depois que saiu a lista, recebemos ligações de pessoas cancelando doações, e nós atendemos 590 famílias, sendo 70% delas de baixíssima renda. Vamos continuar fazendo nosso trabalho da melhor forma possível, mas tudo isso é muito injusto”, lamenta Avani Brizzi Zwanziger, presidente da Apae de Ijuí.



