
A investigação aponta problemas como acúmulo de funções simultâneas e recebimento dobrado de salários e benefícios que extrapolam o teto
Uma auditoria interna do governo a cargo da Controladoria-Geral da União aponta indícios de irregularidades em pagamentos e ocupações de 2.327 militares e seus pensionistas.
A apuração verifica a situação dos militares que passaram a trabalhar para o governo federal, um contingente que triplicou na gestão de Jair Bolsonaro e que, conforme levantamento do Tribunal de Contas, ultrapassa 6 mil pessoas.
O relatório, concluído no mês passado, se baseou em informações dos ministérios da Economia e da Defesa.
Os auditores se concentraram em dados de dezembro de 2020 e cruzaram informações do Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos e do Sistema de Informações de Empresas Estatais, que armazenam as informações de pagamentos a agentes públicos do governo.
“Como consequência, tem-se a possível vinculação ilícita de militares a cargos, empregos ou funções civis. Essa situação pode ensejar danos ao erário e à imagem da administração pública federal”, diz o relatório.
Ainda há centenas de casos que extrapolam o prazo máximo de atuação paralela dos militares, se consideradas aquelas situações de exceção em que esse trabalho simultâneo é permitido. São 930 militares se enquadram em casos legais de acúmulo de cargos, mas desrespeitam o limite legal de até dois anos neste tipo de função simultânea e seguem recebendo salário.



