Lembro-me de tempos em que o tráfico pesado era apenas um moleque pego com algum “baseado”. Era o tipo de notícia que circulava entre os vizinhos, sussurrada em rodas de conversa com uma mistura de preocupação e desaprovação. Hoje, porém, o jovem está se perdendo por muito mais.
Basta abrir o jornal para ver que o cenário mudou. Ninguém mais fala em barrinhas ou tijolinhos. Agora, o que ouvimos são cifras astronômicas e quantidades absurdas: toneladas. E o pior é que notícias de grandes apreensões já não chocam. Parece que isso se tornou algo normal, uma rotina macabra.
Uma notícia recente exemplifica essa triste realidade. A Polícia Rodoviária Federal apreendeu mais de 2 toneladas de maconha em um caminhão frigorífico, na Bahia. A droga, estimada em quase 5 milhões de reais, estava no veículo, como se fosse apenas mais uma mercadoria a ser transportada.
É inegável que estamos vivenciando a banalização da droga. A sociedade parece ter se acostumado com números impressionantes. Aquilo que antes seria um escândalo, hoje, muitas vezes, passa quase despercebido. É como se a droga tivesse se infiltrado nas entranhas da nossa cultura, tornando-se parte do nosso cotidiano.
Até mesmo a justiça parece ter sido tocada por essa onda. Aqueles que traficam pequenas quantidades e têm um bom histórico, agora, muitas vezes, escapam da prisão. Uma medida que, ao invés de combater o problema, parece mais um sinal de resignação diante da avalanche de drogas que inunda nossas cidades.
E assim, o que outrora era um problema localizado, agora se tornou uma epidemia. É muita maconha, muita cocaína, muita destruição. Fica a pergunta: onde nos perdemos nesse caminho? Quando a droga passou de um problema social a um cenário quase banal?
É preciso resgatar o senso de urgência e reacender o debate sobre políticas de prevenção e combate ao tráfico. Não podemos permitir que a droga continue a se infiltrar nas nossas vidas e na vida dos nossos jovens.
Enquanto as toneladas de droga continuam a circular pelas nossas estradas, é urgente que retomemos o diálogo e a ação. Não podemos permitir que a banalização da droga se torne o novo normal. É tempo de reagir, é tempo de buscar soluções, é tempo de salvar vidas.




