Nessa segunda, 2, a bolsa despencou 3% e ações da Petrobras, 6,45% com sinais do novo governo

O pronunciamento de Lula e prorrogação de isenção de combustíveis causam inquietação. O dólar teve alta mais contida: 1,5%
Depois de abrir já em forte queda no dia seguinte à posse, a bolsa despencou 3,06% no fechamento, puxada pelo desabamento nas ações da Petrobras (-6,45%) e do Banco do Brasil (-4,23%). A reação no câmbio foi mais contida, com alta de 1,51% no dólar. (por Marta Sfredo – GZH)
Foi uma clara reação do mercado a discursos e medidas do presidente Lula.
Além das palavras duras sobre “cupidez dos rentistas e de acionistas privados das empresas públicas” e “uma estupidez chamada teto de gastos”, o presidente transformou em ação seu discurso contrário à privatização determinando a retirada de Petrobras, Correios, ECB e outras cinco empresas da lista das estatais a serem vendidas no âmbito do Programas de Parcerias em Investimentos (PPI).
Também contribuiu para o dia negativo no mercado a percepção de analistas de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria sofrido sua primeira derrota no embate interno do governo. Havia manifestado intenção de não prorrogar a isenção de tributos federais sobre combustíveis, mas a preocupação da ala política sobre o impacto inflacionário já nos primeiros dias de governo acabou prevalecendo.
Embora a privatização da Petrobras fosse tratada por especialistas em desestatização como um ensaio precário, sem definição de modelagem ou expectativa de prazo, no mercado era vista como “oportunidade”.
Já a combinação das declarações de Lula e do indicado à presidência da estatal, Jean Paul Prates, projeta perdas em relação aos ganhos polpudos proporcionado em dividendos. Só nos primeiros nove meses de 2022, a estatal distribuiu R$ 136 bilhões aos acionistas – quase uma PEC da Transição.



