
A maior parte dos fertilizantes usados no setor vem da Rússia, que sofre com sanções internacionais por ter dado início à invasão da vizinha Ucrânia.
O impacto do preço dos fertilizantes será inevitável na safra de 2023. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Ciro Marino, relembra que o Brasil é dependente da importação dos produtos russos. Mesmo com a intenção do país em manter os envios ao Brasil, as sanções internacionais impostas ao governo de Vladmir Putin impedem as companhias marítimas de atracar no leste europeu e a ampliação da produção nacional deve ocorrer somente em médio prazo.
Os preços também subiram muito para os produtores, e o reflexo chega até os consumidores. “O Brasil importa de 85% a 90% dos fertilizantes, esse número já é bem conhecido. Existem outros produtos que também estão na mesma cadeia, que às vezes não são muito visíveis, mas estão incorporados nesses 90% que o Brasil importa que são intermediários para a fabricação de fertilizantes. Ou seja, no final, tanto fertilizante acabado como os seus intermediários, acabam afetando a mesma indústria que é o agronegócio.
Então, não deveremos ver muita coisa acontecendo nesses primeiros três, quatro meses aqui pela frente, mas, seguramente, na preparação do solo para a colheita de 2023. É muito difícil o Brasil conseguir escapar ou reorganizar o processo de logística que cubra essa deficiência”, afirma o técnico.



