Comoção nos velórios de mortos em ataque a escolas de Aracruz em Espírito Santo

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Autor dos crimes é filho de policial militar e teria usado armas do pai para matar quatro pessoas e ferir 10 na sexta-feira

A professora Flávia Amboss Merçon, de 38 anos, tornou-se no sábado (26) a quarta vítima do ataque armado por um adolescente de 16 anos a duas escolas. Outras quatro pessoas, entre elas duas crianças, seguem em estado grave. Antes da confirmação da quarta morte, a polícia havia informado que o jovem deveria ser indiciado por ato infracional semelhante a três homicídios qualificados e 10 tentativas de homicídio.

Thais Fanttini Sagrillo Zuccolotto, mãe de Selena, diz ter escrito a carta no computador que a filha usava no próprio quarto, em meio aos objetos pessoais da menina, onde a mãe relata ter encontrado um diário em que a menina escrevia sobre a vida.

Mais 4 seguem em estado grave
A professora Flávia Amboss Merçon, de 38 anos, tornou-se no sábado (26) a quarta vítima do ataque armado por um adolescente de 16 anos a duas escolas. Outras quatro pessoas, entre elas duas crianças, seguem em estado grave. Antes da confirmação da quarta morte, a polícia havia informado que o jovem deveria ser indiciado por ato infracional semelhante a três homicídios qualificados e 10 tentativas de homicídio.

O pai do adolescente, em entrevista ao Estadão, afirmou que o filho fez “algo terrível” e que vai pedir desculpas às famílias das vítimas em “momento oportuno”. O governo confirmou que o jovem usou duas armas pertencentes ao pai, uma delas de propriedade da PM.

O oficial havia publicado nas redes sociais uma foto da capa do livro Minha Luta, em que Adolf Hitler expôs ideias antissemitas. A publicação gerou debates com pessoas associando o pai à ação do filho, já que o adolescente portava uma peça com emblemas nazistas.

“Você quer saber de livro da biografia de Hitler. Livro péssimo. Li e odiei”, afirmou o policial.

Ele não quis comentar como o filho teve acesso à arma dele e ao carro da família e pediu para que a dor dele fosse respeitada.

Selena Zagrillo, Maria da Penha Banhos e Cybelle Bezerra são três dos quatro mortos em ataques a escolas em Aracruz (ES) — Foto: Reprodução/TV Gazeta

Desde a noite da sexta, flores e velas são deixadas na porta da Escola Primo Bitti. Os sentimentos de tristeza e indignação eram comuns entre os presentes e a comunidade ao longo do sábado.

Logo na chegada à cidade, era possível ver a fila de carros em frente à capela que abrigava o velório da estudante Selena Sagrillo, 12 anos. Entre os muitos presentes, chamou atenção a quantidade de adolescentes vestindo roupas pretas e acompanhados dos pais.

Uma delas, Maria Eduarda Oliveira Vervloet, 11, era amiga e colega de classe e contou como tudo aconteceu.

“Eu estava em uma sala embaixo de onde o assassino estava. Ouvi o barulho dos tiros, olhei e vi o assassino. Uma das coordenadoras que estava comigo também foi ver o que era e voltou correndo, com cara de assustada, e levou a gente com pressa para um clube vizinho da escola. Fiquei com muito medo e não quero mais voltar”, comentou ao lado da mãe, Renata Curto, 47.

A mãe correu para o local quando soube do atentado por meio de um aplicativo de mensagens e reitera a sensação da filha:

“Muito difícil voltar. Foi um trauma muito grande e os pais não se sentem seguros”.

De acordo com Simoni Bianchini, mãe de um dos sobreviventes e ex-professora da escola, faltam palavras para descrever o que aconteceu.

“A gente está sem palavras para explicar o que aconteceu em um bairro tão tranquilo. A gente sempre teve alguns problemas na escola, coisas comuns de estudantes, mas nada nem perto disso. O que a gente viu ontem (sexta) não. Entrei em pânico”, disse.

Desolação também foi vista no velório de Maria da Penha Pereira de Melo Banhos, 48, uma das professoras mortas no ataque. O viúvo Wellington Banhos contou que soube do ataque por meio da filha de sete anos.

“Minha filha mandou mensagem para mim, fui ao hospital para verificar e fui para a escola. Porém lá, eu queria ver ela, abraçar ela. Mas não consegui”, disse.

Não foram divulgadas informações sobre o velório da professora Cybelle Passos Bezerra Lara, 45.

(Zero Hora)

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