A corrupção está no meio de nós
(J.Lemes)
Todo mundo fala que a corrupção é o mal do Brasil. Nunca se roubou tanto em tão pouco tempo e tão pouco se fez para evitar ou punir. Todo mundo diz que o governo só sabe envolver-se em falcatruas e já sai dizendo que nenhum político presta. Os jovens são os primeiros a dizerem que não gostam de política porque todos estão no mesmo barco etc etc etc. Realmente chegamos a um nível extremo, um caminho que levará milhares à prisão – caso fosse possível prender todos os saqueadores do Brasil.
Mas o engraçado nesta história é que muitos dos que falam dos roubos, de alguma forma já se envolveram em um tipo de desonestidade, falcatruas ou usou do famoso jeitinho, o que, para mim, é um ato primo da falcatrua. Estes roubinhos por aí afora, de empregado contra patrão e vice-versa; de vendedor pra cima de cliente, de negociador de uma mercadoria… aquele jeitinho na furada de fila no congestionamento, enfim, onde quer que seja, é uma espécie de corrupção. Podemos estar falando de gente que rouba pouco porque não teve a chance de roubar mais… Podemos estar falando de brasileiros que se estivessem no governo fariam tudo do mesmo jeito daqueles envolvidos nos escândalos.
A começar por uma simples obra. No construtor, pedreiro ou pintor que pede material a mais para depois levar a sobra embora. Isso também é corrupção. E quem faz isso tem direito de cobrar por um Brasil melhor? Tem autonomia e isenção para cobrar dos governantes? Aí é que está: os outros são ladrões, safados, corruptos, mas nós somos todos santinhos. Somos os bons.
O Brasil já deu certo e seguirá dando certo, basta começarmos uma onda pelo bem. Basta pensarmos no todo e não apenas em nós. É preciso dizer basta à ladroagem. É preciso dar fim a essa eterna onda de roubos, mas antes devemos ter em mente uma coisa bem clara: todo o poder dado aos governantes vem do povo e do povo vem a corrupção. É isso aí! O infrator sai do meio de nós. E para frear esta mania de roubar, de dar jeito em tudo para levar vantagem é só dizermos a nós mesmos: eu sou honesto e pratico só atos honestos. Este sim é o verdadeiro passo para um Brasil vencedor e sem corrupção. Eu sei que isso é quase um sonho, mas não custa nada tentarmos.


