
Desde o início da pandemia de coronavírus, em março de 2020, os gráficos mostram as mortes e a letalidade de outras pandemias, como a gripe espanhola. Esse tipo de comparação é errado, segundo Stefan Cunha Ujvari, infectologista do Hospital Oswaldo Cruz.
Não há consenso sobre quantas pessoas a gripe espanhola matou. Estudos estimam de 20 milhões a 100 milhões. Também não se sabe quantos foram infectados há mais de 1 século. Alguns estudos estimam 500 milhões (quase 1/3 da população da época), mas a verdade é que não havia controle sobre os casos em quase nenhuma cidade.
“O que se sabe com precisão: nos EUA, 1% da população morreu. Na cidade de São Paulo, quase 1%. No Rio, quase 1,5%. Mas não sabemos quantas pessoas foram infectadas, então fica difícil de se falar em taxa de letalidade e comparar com outras doenças”, afirma o infectologista.

Para chegar à mesma proporção que os 20 milhões de mortos representavam em 1918, a covid teria de matar 88 milhões de pessoas hoje. Os dados mais recentes do projeto Our World in Data indicam 5 milhões e 600 mil mortos no mundo.
Como foi a gripe espanhola no Brasil?
Historiadores acreditam que a pandemia chegou ao Brasil em 1918, através do desembarque de passageiros contaminados do navio britânico Demerara, vindo de Lisboa, Portugal. Os infectados desembarcaram em Recife, Salvador e Rio.
Não foi descoberto um tratamento. Apenas era aconselhado repousar e manter uma alimentação e hidratação adequadas. Assim, poucos eram os pacientes que ficavam curados, dependendo do seu sistema imune.



