
O governo federal acertou compra da vacina Covaxin com preços de 80 reais cada, 1000% acima da média das outras e ainda usou um atravessador da empresa Precisa. O Ministério Público vê indícios de crime.
Documentos do Ministério das Relações Exteriores mostram que o governo comprou a vacina indiana por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante. Telegrama sigiloso da embaixada brasileira em agosto do ano passado informava que esse imunizante tinha o preço bem abaixo do atual valor.
O contrato para aquisição da Covaxin é de R$ 1,6 bilhão, com dispensa de licitação, para 20 milhões de doses que ainda não têm prazo de entrega. O valor ainda não foi pago à farmacêutica. A negociação com a Astrazeneca, por exemplo, gerou um investimento de R$ 1,9 bilhão para aquisição de 100 milhões de doses e transferência de tecnologia. A vacina inglesa custou um terço do valor da indiana.
CPI faz convocações e quebras de sigilos
CPI aprova convocação de representantes de Google, Facebook e Twitter e também decidiu convocar o tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-assistente de Pazuello, que teria feito pressão pela compra dessa vacina. Foram solicitados, ainda, a quebra de sigilo de seis organizações sociais que atuam no Rio e a entrega de um relatório com viagens da médica Nise Yamaguchi em aviões da FAB.
Queiroga se irrita ao ser questionado
O ministro da Saúde fez questão de dizer que o ministério não comprou nenhuma dose da Covaxin, apenas fechou um acordo de intenção de compra. O Ministério Público encontrou indícios de crime nesse acordo fechado no ano passado, antes mesmo da conclusão dos estudos sobre a eficácia da vacina. Após insistência da imprensa, Queiroga se irritou e perguntou em que idioma tinha falado.




