
Uma incrível história baseada na força do amor
Viviane Amaral é natural de Santiago, mas há 19 anos mora em Santa Cruz, onde atua na Brigada Militar. Há pouco ela descobriu que seu irmão (por parte de pai) Pierre Rovian Duarte do Amaral (37 anos) estava perdido na cracolândia, em São Paulo. Veja a incrível força de vontade alicerçada no amor que a fez ir à sua procura, sem descansar até trazê-lo são e salvo para uma clínica em Capão Novo, RS.
Tudo começou na infância
Pierre perdeu o pai na infância. Foi criado pelos avós paternos, pois sua mãe biológica foi embora, deixando ele com a avó, dona Horientil. Com algumas feridas emocionais, o menino não teve referência de pai e mãe, a não ser dos avós. Viviane também ajudou a cuidá-lo, assim como sua tia Sílvia. Sempre lhe ajudavam a ter uma boa criação e educação. Ele é muito querido por todos; estudou no Apolinário e Cristóvão Pereira. Chegou a cursar alguns semestres de Psicologia na URI. Trabalhou em lojas, a exemplo da Guilgue, Código B, Colombo…

A dependência química
Desde a adolescência para a fase adulta, Pierre passou a ter problemas com dependência química, iniciando uma trajetória de uso de álcool, maconha… Com o passar do tempo, usou cocaína, a exemplo dos jovens.
Como foi parar na cracolândia?
Desde a morte de sua mãe (avó) em 2016, ele teve momentos de altos e baixos, porém, não conseguia livrar-se da dependência química, a qual trouxe grandes problemas na sua vida devido às constantes recaídas. Assim, ficou desaparecido (em situação de rua) após sua última recaída no ano passado, em Curitiba. Então acabou indo parar na cracolândia, em São Paulo. Como ele foi parar lá, nem ele sabe responder.
A descoberta do irmão
Viviane descobriu seu paradeiro em São Paulo depois que ele apareceu ao fundo de uma reportagem do SBT e da Record, quando houve uma operação para desocupar a praça Santa Efigênia (cracolândia) e retiraram os usuários e os traficantes desse local. Então uma prima viu essa reportagem e reconheceu o rapaz.


Ajuda de um amigo
Ele havia usado um telefone de um vigilante de supermercado para ligar para o santiaguense Bruno Gavioli (dono da Guilgue) muito amigo dele, e que mora em Santiago. Foi Bruno quem entrou em contato com Viviane, mas disse que não tinha muitos detalhes, pois a ligação havia caído.
O contato foi feito
“Em maio consegui o contato do referido vigilante e passou a falar com o irmão. No início, ele foi muito resistente a aceitar que estava doente e precisava se internar; se culpava, sentia vergonha e dizia que estava tudo bem e que iria seguir morando na rua. Porém, a irmã insistia em querer ajudá-lo.
Sob efeito do crack
Ele passou então a aceitar falar com ela. Sempre chorava quando ao telefone. Era complicado, já que muitas vezes ele estava sob efeito do crack. Não dava para tocar muito no assunto, ou ele não queria mais falar e sumia por dias. Ele oscilava bastante quando tocava no assunto de se tratar, tinha vezes que manifestava um sim, mas sempre pedia um tempo a mais pra pensar, pois estava confuso e tinha medo de recair e magoa-la novamente. Viviane tentou que equipes de assistência social da prefeitura de São Paulo o abordasse, mas não tiveram êxito.


A terrível espera
Ele já havia sido mordido por cães e estava com infecção no pé. Ela não poderia mais esperar; precisava ajudá-lo. Em seguida, Viviane foi resgatá-lo juntamente com seu cunhado, num planejamento arriscado, pois ela é policial. Foi preciso fazer uma vaquinha online para conseguir ir até São Paulo e também para contratar uma clínica para sua internação.
Enfim, o reencontro
Já estavam cansados de procurar em vão quando foram fazer um lanche no supermercado, cujo vigilante já havia ajudado com os telefonemas. Foi então que Pierre apareceu na porta. Foi um momento emocionante; de tristeza e alegria. Uma viatura os escoltou para uma região segura, de onde partiram em viagem até a clínica em Capão Novo. Viajaram a noite toda e no sábado pela manhã o rapaz foi internado de forma tranquila e está se adaptando muito bem.
“Meu irmão não faz mal a ninguém, a não ser a ele mesmo” “Para mim não é confortável dividir essa história com as pessoas, porém tenho certeza que muitas famílias passam por isso, muitos jovens que hoje estão no álcool ou fazendo uso de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas. Tenho uma luta nesse sentido, pois sou instrutora do Proerd há 14 anos e trabalho na prevenção às drogas nas escolas. Mas meu irmão não faz mal a ninguém, a não ser a ele mesmo”, esclarece Viviane.
Ajuda para o tratamento
Ela pede que a quem pude ajudar a custear as mensalidades da clínica e também dos gastos com a saúde dele. Chave pix (e-mail) viamaral33@yahoo.com.br






