
Pressão sobre funcionárias para filmarem voto ‘com celular no sutiã’ é investigada. Ouça o áudio
Ministério Público do Trabalho informa que houve aumento exponencial de casos
O relatório parcial mostra uma explosão nas denúncias de assédio eleitoral. Na disputa anterior, foram 212 reclamações contra 98 empresas que teriam desrespeitado a liberdade de voto dos seus trabalhadores. Neste ano, restando 10 dias para o final do segundo turno, a quantidade de denúncias saltou para 903, atingindo 750 empresas de todo o país.
O aumento de relatos de irregularidades é de 325%, enquanto o de empregadores apontados por supostos assédios é de 665%. A maioria dos casos está concentrada no Sudeste e no Sul.
“Esses dados demonstram a gravidade da situação. Isso influencia o processo eleitoral, é prejudicial. Houve essa explosão a partir do segundo turno. Os casos se multiplicaram e causa certo espanto”, afirma Rafael Foresti Pego, procurador-chefe do MPT-RS.

Um dos casos mais notórios ocorreu no Pará, onde o proprietário de uma cerâmica prometeu entregar R$ 200 para cada funcionário em caso de vitória de Bolsonaro (PL). Em vídeo, o empreendedor ainda afirmou que empresas fechariam em São Miguel do Guamá (PA) caso Lula ganhasse. Em 7 de outubro, o homem acabou assinando um acordo com o MPT e teve de gravar um novo vídeo se desculpando com os empregados, pagar indenização de R$ 2 mil para cada um, assinar a carteira de trabalho dos que não tinham registro e quitar R$ 150 mil por dano moral coletivo.
O MPT tem canais oficiais para o recebimento de denúncias. Quando uma informação aporta no órgão, é aberta a notícia de fato, expediente inicial que vai averiguar a existência de elementos que justifiquem uma investigação aprofundada. Havendo indícios, é instaurado o inquérito. (Zero Hora)
O MPT, até o momento, ingressou na Justiça do Trabalho com três ações contra empresas que teriam coagido funcionários. Os alvos são um vereador e empresário de Balneário Pinhal, uma construtora de São Gabriel e a indústria de máquinas Stara, de Não-Me-Toque.
No caso da Stara, a ação requer a condenação e o pagamento de 10 milhões por dano moral coletivo. Também é solicitado que a indústria quite indenização por dano moral individual para 3 mil empregados. O valor base para essa reparação é de R$ 2 mil para cada funcionário. (Zero Hora)
Denúncias por região
Norte – 51 denúncias contra 25 empresas
Nordeste – 140 denúncias contra 123 empresas
Centro-oeste – 69 denúncias contra 58 empresas
Sudeste – 382 denúncias contra 321 empresas
Sul – 261 denúncias contra 223 empresas



