Autoridades religiosas tiveram de ir a público para pedir “calma”, “discernimento” e “respeito” entre os fiéis, em meio à polarização

Já foi marca da primeira fase da corrida presidencial com foco nos evangélicos e agora a busca pelo voto religioso mira todos os cristãos. Então, autoridades religiosas (eclesiásticas) tiveram de ir a público pedir “calma”, “discernimento” e “respeito” entre os fiéis, em meio às divergências e à polarização. Ao mesmo tempo, há radicalização de discursos em favor do atual presidente ou manifestações de apoio ao ex-presidente.
Padres, como Paulo Ricardo, da Arquidiocese de Cuiabá, disseram que o momento eleitoral configura uma “luta espiritual” contra o satanás, o aborto e o comunismo. O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, por sua vez, teve de explicar por que usa vestes vermelhas (a cor dos cardeais), marcou posicionamento contra a interrupção da gravidez e chegou a alertar para os riscos do fascismo.
“Tempos estranhos esses nossos! Conheço bastante a história. Às vezes, parece-me reviver os tempos da ascensão ao poder dos regimes totalitários, especialmente o fascismo. É preciso ter muita calma e discernimento nesta hora!”, escreveu no Twitter.
Para Vinicius do Valle, doutor em Ciência Política pela USP, especialista em religião e pesquisador do Observatório Evangélico, a atual eleição é o momento de maior tensão política para a Igreja Católica desde a redemocratização.
“Não por escolha, mas porque ela foi empurrada. A Igreja Católica não tem manifestações de apoio a um candidato e, sim, posicionamentos mais ideológicos, que ora se alinham com um (candidato), ora com outro”, afirmou Valle. (Zero Hora)



