
(Pelo jornalista Fernando Oliveira, mais conhecido como Fefito – da UOL)
Atualmente série mais assistida da Netflix em todo o Brasil, “Todo Dia a Mesma Noite” surge como um desafio ao espectador: é impossível chegar ao final de algum dos episódios sem chorar ou ficar indignado. Narrada com tom muito próximo de novelas, a produção usa do melodrama para narrar individualmente a história de muitas das vítimas e de suas famílias.
Maior incêndio dentro de uma boate da história do Brasil, a tragédia tirou a vida de 242 pessoas em Santa Maria, em 2013, após uma banda soltar fogos dentro da casa noturna. Há relatos de seguranças impedindo a saída das vítimas e também de jovens presos nos banheiros, já que não havia rotas de fuga. O caso mudou o modo como se encaram os cuidados em ambientes como este.
Na série da Netflix, acompanha-se desde o momento do incidente até seu julgamento e, por meio da dor dos familiares, escancara as injustiças do caso.
Dos 28 indiciados, apenas quatro pessoas foram levadas à justiça e seguem livres graças a habeas corpus. Por meio de atuações potentes, torna-se muito difícil ficar alheio à história.
Paulo Gorgulho e Débora Lamm, viscerais, entregam grandes e tocantes interpretações. Do ponto de vista técnico, as cenas da tragédia, dos resgates e das buscas são impecáveis, ainda que passem longe da grandiosidade de filmes-catástrofe, é na aposta na emoção que está o grande forte de “Todo Dia a Mesma Noite”.



