Santiago – “Nenhuma criança sem escola”, esse era o lema do governador Leonel Brizola, que governou o Rio Grande do Sul entre 1959 e 1963.
Ele acreditava que era preciso investir na erradicação do analfabetismo e chegou a empregar 36% do orçamento do Estado na contratação de professores e na construção de escolas em todos os rincões possíveis, especialmente na área rural.
Chamadas de “Brizoletas”, eram escolas feitas em madeira, com poucas salas, banheiro e cozinha. Tudo de modo simples de construir rapidamente para ampliar o número de matrículas e levar a educação para o campo.
Com o passar dos anos, muitas dessas escolas deixaram de existir ou deram lugar a outras construções. Porém, em Santiago há na localidade do Boqueirão uma Brizoleta, modesta, idosa, mas que guarda em suas paredes de madeira muita história, tendo sido lar para centenas de alunos ao longo de décadas.

E, 65 anos depois de sua construção, a Escola do Boqueirão abriga 23 alunos, fazendo valer o seu slogan inaugural, de não permitir que nenhum deles esteja fora da escola.
Escola pequena, grandes desafios
No programa “Terça da Educação”, a jornalista Sandra Siqueira entrevistou a professora Márcia Gislaine Bazzan, atual diretora de uma das últimas Brizoletas da região.
Hoje, ela comanda essa escola de 23 anos e uma equipe de nove pessoas, entre professores e funcionários, depois ter sido diretora de uma das maiores estruturas de Santiago, que é a Cristóvão Pereira.
A mudança de ares profissionais, porém, não significou encarar desafios menores.
Notícia nacional
Dirigir a Escola do Boqueirão se tornou um grande desafio para a educadora, porque faça chuva ou faça Sol, literalmente, a Escola precisa ser aquele elo que une a comunidade do interior.
Márcia usou de sua experiência de já ter atuado em escolas rurais para dar o melhor de si pela Escola do Boqueirão. E no que depende dela e de sua equipe de nove pessoas, entre professores e funcionários, as coisas funcionam.
PARTICIPE DA NOSSA COMUNIDADE: CIQUE AQUI!
O problema é quanto o tempo vem com suas adversidades. Certa vez, um Pinheiro desabou com a força do vento e atingiu parte de uma sala, causando estragos.
Em outro momento, um temporal levantou metade da cobertura da escola, deixando sala de aula ao relento, assim como a cozinha. Foi preciso cobrir com lona de caminhão e lutar para que o Estado dispensasse os recursos necessários para os consertos.
Mas a velha Brizoleta segue tendo muita história para contar. E uma dessas, virou até reportagem de capa da revista Globo Rural, em 2020, quando divulgou reportagem sobre um aluno que ia com o pai buscar as tarefas a cavalo para fazer em casa. Retrato de uma das realidades vivenciadas numa escola rural.
LEIA TAMBÉM: Andrezza Ferraz: trajetória empreendedora



