
Ex-boia-fria, empresário e cartola de futebol: quem é o investigado por manter mão de obra escrava na Serra?
Pedro Augusto Oliveira de Santana, 45 anos, foi quem contratou os 207 safristas da colheita da uva encontrados em situação de escravidão em Bento Gonçalves. A notícia é de GZH. Confira o link aqui
Entre os amigos, é conhecido como empresário bem-sucedido, cartola no futebol interiorano, benfeitor de comunidades com doações e patrocínios. Já o outro lado de sua carreira apareceu quando foi preso em por manter os safristas num local degradante e contra a vontade deles.
Ele começou como boia-fria
Pedro Augusto contratou 207 safristas para a colheita da uva, que foram encontrados em condições sub-humanas em uma pousada. Santana é baiano e começou sua carreira como boia-fria antes de se mudar para RS, onde montou a Prestadora de Serviços Ltda, que fornece empregados para abatedouros e a colheita de uvas.
Do sertão para o RS
Ele é conhecido por recrutar trabalhadores jovens do sertão da Bahia e Salvador, e tem uma rede de nove empresas. Ainda é alvo de investigações por tráfico de pessoas e pedidos de indenização cível por manter os trabalhadores em condições degradantes e submetê-los a jornadas exaustivas.
O trabalho escravo
Conforme depoimento dos empregados, quase todos baianos, eles eram obrigados a comprar no mesmo local, tomavam banho frio, não recebiam o dinheiro prometido e estariam proibidos de deixar o emprego porque contraíram dívidas com o patrão pela viagem desde o Nordeste. Alguns relatam terem sido espancados e torturados com choque elétrico por guardas e PMs, apenas porque reclamaram.
Santana também é baiano, o que talvez explique como convence os conterrâneos a largarem lares situados a 3 mil quilômetros para jornadas de trabalho extenuantes no verão serrano. Brincam que ele é “baiúcho” (mistura de baiano com gaúcho).
Festas no clube e na comunidade
A história recente do time Garibaldi se confunde com a do empresário Pedro Santana. Ele é chamado de gerente-executivo do clube, um “cartola”.
Jogadores de nome
Santana convocou para atuar no time alguns conhecidos jogadores, como Vinícius (ex-zagueiro do Inter), Souza (ex-Grêmio) e Marco Aurélio Jacozinho (ex-Grêmio). Trouxe também dois colorados notórios: o ex-meio campo Chiquinho e Pedro Iarley, herói da conquista do Mundial pelo Inter, a maior contratação da história do Garibaldi.
Doações
Santana também doou testes de covid e máscaras à prefeitura. Quando a pandemia começou a diminuir e essas providências começaram a cair em desuso, o baiano deu uma festa para as equipes de saúde.
Vinho fino aos amigos
Santana gosta de manter boas relações e lançou um rótulo exclusivo de vinho para presentear os amigos: o Oliveira e Santana Ancellotta. Um “reserva especial” em garrafas de produção limitada, é presenteada a clientes.
Uma das empresas consta como integrante do Conselho Pró-Segurança Pública (Consepro) de Bento e figura numa placa que homenageia os que contribuíram para a construção de um canil da Polícia Rodoviária Federal.
Ironia – Por ironia, foram policiais rodoviários federais que deram voz de prisão em flagrante a Santana no dia em que descobriram 207 pessoas contratadas por ele, alojadas numa pousada em condições de escravidão.



