(J. Lemes) Poucos talvez saibam (nem têm obrigação de saber, nem eu de contar), mas fui guri que trabalhou em fazendas, granjas… trabalhei na campanha, como se diz. Muitas vezes virei horas no lombo de um cavalo ou “em riba” de um trator por madrugadas a fio. Também ajudei os alambradores, esses que faziam cercas. Como diz aquela canção do Zé Cláudio: “Se escapa o esticador, o tombo é quer mais infame…”
Hoje sou de cidade, assim como muitos que largaram a vida campeira, porém, meu passado está presente em meu ser, em minhas escolhas. Hoje, para se trabalhar numa fazenda, os peões até exigem que o patrão tenha uma internet boa para eles olharem o face ou se comunicarem com a família. Não é errado. São novos tempos. Essa crônica é apenas uma constatação de como as coisas eram difíceis, tanto, que a figura do alambrador é espécie em extinção e perdura apenas nos versos de um João Sampaio e nesse belo quadro que ele postou hoje cedo.



