Santiago – Chegar à presidência da Câmara de Vereadores é para poucos. Afinal, num mandato de quatro anos, apenas quatro podem chegar lá, dentro de uma alternância entre os partidos que comandam o Legislativo.
No caso de Santiago, essa escolha de comando sempre recai sobre os vereadores que fazem parte da bancada progressista. Se chegar à presidência é para poucos, repetir a presidência é para raros.
E apenas quatro vereadores já tiveram a oportunidade do “bis”. Décio Loureiro, o atual presidente, é o quarto a chegar lá, mesmo tendo sido o menos votado, da atual formação do PP, desbancando Haroldo Pouey, vice-campeão em votos do último pleito.
Sua estratégia foi revelada para Sandra Siqueira no programa “A Pauta é”: Décio disse que era é o seu último mandato e deu a palavra que não iria concorrer à reeleição. Pediu aos colegas pela oportunidade de sair da política como presidente da Câmara.
A vida na política
Décio concorreu pela primeira vez em 2012 e ficou como suplente, tendo assumido por um período. Tornou a concorrer em 2016, obtendo mais de 1.300 votos. Seu segundo mandato foi conquistado em 2020.
Durante o tempo em que atuou, Décio sempre se fez notar. Fosse defendendo a administração municipal, fosse defendendo o seu presidente Bolsonaro ou mesmo contrapondo os oponentes partidários, com palavras fortes e até alguma polêmica.
Décio nunca foi de ficar em cima do muro e, algumas vezes, até com colegas de partido acabou se estranhando, cobrando atitudes ou explicações. Ele esclareceu que esse é o seu jeito de ser, que a seridade é a sua marca e que tem orgulho de sua vida política.
Segundo ele, entrou em todas as brigas que acreditava que precisava entrar, para defender o que acreditava como certo. “Minha vida pessoal nem tem furo, tem rombos. Mas minha vida pública não tem nenhum arranhão. E tenho orgulho disso”, argumenta.
A razão para ser assim, Décio explica, é a paixão pela política. É filiado ao PP desde 1987, mas que acompanhou a trajetória de seu pai, Manoel Vargas Loureiro, como vereador em Bossoroca, na época em que não se tinha salário, era por amor à camiseta.
E também como vereador em Santiago. Décio acredita que o seu saldo é positivo, tendo ajudado em muitas pautas sociais, da área da saúde e também de estruturação do próprio Poder Legislativo, tornando-o mais profissional e também acessível.
Patas de cavalo de sobra
Ao analisar a continuidade do PP, Décio considera que o partido se preocupa em formar lideranças. “O próprio Peru foi preparado para ser prefeito e vai fazer um ótimo trabalho.
No PP, temos muitas patas de cavalo de sobra, prontas para a corrida”, afirmou, se referindo a pessoas como Éldrio Machado e Mara Rebelo, sua candidata (ganhadora) na pré-convenção realizada pelo PP.
Sobre Haroldo Pouey, Décio não achava que ele fosse disputar a convenção, como acabou acontecendo, ficando em terceiro. “Assim como ele, eu pensei em também me colocar à disposição, mas retirei porque não posso ser candidato de mim mesmo, mas representar mais pessoas. Não foi o caso”, considerou.
A oposição não se prepara
Décio considera que a prévia é um processo normal, dentro do partido, e o PP é unido. “Essa é a diferença da oposição. Eles não se preparam, não se organizam, portanto, fica difícil apresentar um bom candidato”, afirma.
Ele vê com bons olhos a aliança com o PSDB, que desistiu de se aliar aos partidos de oposição, como tradicionalmente fazia, para se achegar nos Progressistas.
Bater no Chico ou no Francisco
Ainda sobre a oposição, Décio também observa que alguns vereadores criam polêmicas sem provas, como foi o caso das situações levantadas por Gildo e Magdiel no ano passado e que acabaram respingando em Haroldo e João Alberto, por causa de acusações e brigas.
Fosse o Décio presidente, nada disso teria acontecido. Afinal, ele tem pulso firme. “Seja pra bater no Chico ou no Francisco.”
Mais tempo para a família
A saída da política foi algo que ele planejou, inclusive financeiramente. Disse que não pode acompanhar muito do crescimento dos filhos, mas agora quer dedicar tempo a eles e aos netos.
Décio não se vê buscando um cargo eletivo nos próximos anos, mas não descarta outras possibilidades, como até mesmo trabalhar na Prefeitura. Por ora, Décio garante que não vai ter saudade em ser chamado de vereador. Quer mesmo ser chamado de pai e avô.
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