
Com a decisão do governo Bolsonaro de declarar fim do estado de emergência sanitária por coronavírus, 172 portarias publicadas ao longo da pandemia serão revogadas. Estados e municípios ainda não têm dimensão do real impacto a partir de agora.
A consequência mais imediata é que a Coronavac não será mais fornecida como primeira dose para adultos.
A vacina foi aprovada apenas para uso emergencial, e não definitivo, pela Anvisa.
O Ministério da Saúde solicitou que a Anvisa libere por um ano a Coronavac para todos os públicos, mas irá restringir a oferta somente para crianças e adolescentes de seis a 18 anos e para a segunda dose atrasada de adultos que tomaram a primeira com o imunizante do Butantan. Pfizer, Janssen e AstraZeneca receberam liberação para uso definitivo, portanto não serão impactadas com a medida.
Gastos com a covid
A medida mais criticada por secretários estaduais e municipais da Saúde é o fim de repasse de verbas específicas, pelo governo federal, para Estados e prefeituras combaterem a covid.
A Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional, implementada em fevereiro de 2020, deu margem para o governo extrapolar os gastos previstos pelo Ministério da Economia a fim de enviar dinheiro para fortalecer o SUS.
Com a verba, prefeitos e governadores contrataram médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos para trabalhar em hospitais, aumentar o horário de funcionamento de postos de saúde e criar tendas de atendimento.
O secretário do Conselho dos Secretários Municipais da Saúde do RS, Diego Espíndola, diz que um risco é de que prefeituras demitam funcionários contratados de forma emergencial e deixem de abrir postos de saúde à noite ou no fim de semana para realizar testes de covid.
A infectologista Rosana Richtmann falou que não quer dizer que a pandemia acabou. Na prática, ela diz que os cuidados devem ser mantidos, já que o Brasil ainda registra uma média de 100 mortes por dia e o vírus é conhecido pela capacidade de mutação. (Zero Hora)



