
O Meleiro: música símbolo do interior homenageia Ataliba Lopes e Eracy Rocha.
(por João Lemes) Hoje ouvi a música O Meleiro, pela Nova Pauta, programa de Fabiano Mulazzani (Gente da Terra). Esta é uma das pérolas do nativismo, escrita pelo santiaguense Ataliba Lopes. Canção que quase não é rodada.

A obra retrata a vida no interior, a busca pelo alimento (mel), a natureza e o amor. Somente quem viveu esse tempo poderia escrever com tanta propriedade. Apenas quem conheceu essa cultura poderá bem interpretar a mensagem e se emocionar com ela. Parabéns, Ataliba, Regis Reis, Valtenor Almeida (em memória) e Eraci Rocha (cantor já falecido)

Na canção, o meleiro sai pro mato em busca de uma “oropa gorda” das que atropela (abelheira com muito mel e bravia);

Leva a esperança de dentro de um balde (metáfora perfeita. Leva o balde na esperança de trazer mel);
Um bom guerrudo (pão de casa) e café de inhame (café feito de um espécie de bata)
Fez muitas buchas de roupas vencidas (roupas que não usa mais. Servem pra fazer fumaça);
Machadinho de cabo sião (cabo curvado, côncavo);
Desce rangendo perau a baixo, uma cabriúva (cai uma árvore onde está a abelheira. Madeira de lei, por sinal. Único ponto negativo da letra. Mas era a cultura);

Onde as aranhas atam as cruzadas. (teias de aranha nas passagens);
O tempo velho se vem com chuva; me vou pro rancho, pro beijo doce da companheira (a parte mais bela está no arremate. O beijo doce como o mel).



