
A candidatura única de grupo alternativo à polarização entre Bolsonaro e Lula ainda está distante
MDB, PSDB, União Brasil e Cidadania marcaram lançamento de nome, mas nada deslancha. (Fonte: Estadão – Pedro Venceslau e Beatriz Bulla)
Interesses pessoais e regionais de caciques partidários, disputas internas e a pressão do Planalto minam a possibilidade de uma candidatura unificada. Prevista para ser anunciada em breve na terceira via, a opção à polarização Lula-Bolsonaro é menos provável hoje do que há 20 dias, quando União Brasil, MDB, PSDB e Cidadania anunciaram acordo para lançar um candidato único à Presidência.
A indefinição mantém em aberto a expectativa de parte do eleitorado que busca uma alternativa ao petismo e ao bolsonarismo. De acordo com as mais recentes pesquisas, acima de 30% dos eleitores ainda não têm o voto consolidado, ou seja, podem migrar de nome até a eleição.
Tanto o ex-presidente Lula (PT) quanto o presidente Bolsonaro (PL) amargam altos índices de rejeição. Mais da metade dos eleitores diz não votar de jeito nenhum em Bolsonaro, enquanto 40% descartam o petista.
Contestações no União Brasil
Hoje, dono do maior quinhão de recursos públicos do fundo eleitoral — cerca de R$ 1 bilhão – o União Brasil estaria sob ameaça de perder cargos no governo federal e recuou do projeto de parceria com as outras legendas. Além disso, o partido nascido da fusão de DEM e PSL vê pelo país contestações à terceira via: no Rio, por exemplo, a sigla caminha para aderir a Bolsonaro já no primeiro turno.
Ganha força nesses choques de reivindicações pessoais e regionais a manutenção da candidatura do presidente da legenda, Luciano Bivar. Lideranças partidárias afirmaram que o lançamento do manda-chuva serve como um escudo. Protegidos pela justificativa de que têm candidato próprio, caciques estaduais não precisam arcar com o custo político de se indispor com o eleitorado de Lula ou de Bolsonaro. Bivar é incapaz de gerar incômodos justamente porque não vai emplacar, dizem figurões da legenda.
Crise interna no PSDB
A desarticulação inclui também a crise interna do PSDB, agravada pela falta de harmonia entre o pré-candidato, João Doria (ex-governador de São Paulo) e a cúpula do partido. O tucano se esforça para manter vivo um projeto eleitoral cada vez mais isolado.
Evento dos grupos Derrubando Muros e Roda Democrática, em São Paulo, que reuniu na quinta-feira (28) líderes de MDB, PSDB e Cidadania, mostrou essa rejeição e os descompassos internos. A pré-candidata à Presidência pelo MDB, a senadora Simone Tebet (MS), foi exaltada no encontro como alternativa à polarização, enquanto Doria foi criticado.
O presidente do PSDB, Bruno Araújo, que está em viagem no Exterior, foi representado pelo ex-ministro Pimenta da Veiga, desafeto do ex-governador paulista. Convidado, Bivar faltou. Veiga disse que, pessoalmente, não acredita que Doria seja o nome mais forte para disputar a Presidência.



