
O IPE Saúde entra em estado de alerta por causa dos altos gastos com tratamentos oncológicos e pela falta de protocolos que permitam um controle efetivo das cobranças feitas por prestadores de serviços. Em meio a um trabalho de implantação de novas regras, desde setembro de 2021, o instituto recebeu em janeiro denúncias de que ao menos três clínicas teriam irregularidades nas faturas.
O Grupo de Investigação da RBS apurou que a Artha Instituto de Oncologia Clínica, de Igrejinha, é uma das que estão sob suspeita e as atividades já foram suspensas. Ela cobraria valores de tratamento que seriam o dobro dos aplicados por outras unidades. Enquanto a auditoria que apura a situação não é concluída, a clínica está proibida de atender pacientes pelo IPE Saúde desde o dia 1º de março.
Também haverá um raio x dos tratamentos efetuados para verificar se estavam adequados, ou seja, se todos os casos necessitavam mesmo de determinadas medicações e dos procedimentos realizados e cobrados com valores supostamente acima do mercado.
No ano passado, a Artha cobrou do IPE Saúde R$ 21 milhões por atendimentos, dos quais R$ 11 já foram pagos. O restante está em revisão. Um dos argumentos da Artha para refutar a suspeita de sobrepreço é de que todos os tratamentos passam por autorização prévia do IPE Saúde.
O IPE Saúde gasta 44% de seu orçamento com tratamentos oncológicos. Em 2020, com 13 mil beneficiários tratando câncer, foram destinados R$ 1 bilhão para a oncologia dentro de um orçamento de R$ 2 bilhões e 500 milhões.



