São Paulo – Aposentado desde 2018, o juiz que viveu por décadas com uma identidade falsa acumulou, apenas em fevereiro deste ano, R$ 166.413,94 em vencimentos brutos, de acordo com dados do Portal da Transparência do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Os rendimentos líquidos chegaram a mais de 143 mil.
Conhecido no meio jurídico como Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, o magistrado é, na verdade, José Eduardo Franco dos Reis, segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A investigação aponta que ele usou documentos falsos e construiu uma carreira inteira com base em uma identidade forjada.
José Eduardo — ou Edward Albert, como era chamado — atuou como juiz da 35ª Vara Cível Central da Comarca de São Paulo até sua aposentadoria, em abril de 2018. Ingressou na magistratura em 1995, após se formar em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), também utilizando a identidade falsa.
De acordo com o MPSP, o verdadeiro nome do ex-juiz consta como nascido em Águas da Prata, no interior paulista. Durante mais de quatro décadas, ele teria enganado instituições públicas e privadas, apresentando-se como descendente de uma família nobre britânica — um enredo que ele mesmo contou em entrevista concedida em 1995.
Com essa narrativa, construiu uma imagem de respeitabilidade e abriu portas no meio jurídico. Agora, no entanto, enfrenta acusações formais de uso de documento falso e falsidade ideológica, crimes que podem resultar em pena de prisão, perda de direitos e eventual reversão de benefícios obtidos com a falsa identidade.
A investigação segue em andamento, e o caso levanta questionamentos sobre os mecanismos de verificação e controle de identidade em instituições públicas de ensino e no próprio Judiciário.
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