Muitos dos envolvidos no maior esquema de corrupção da história escaparam da cadeia, mas enfrentam processos de cobrança de impostos

A anulação das condenações do ex-presidente Lula (PT) na Lava-Jato por ordem do Supremo Tribunal Federal pulverizou a maior operação de combate à corrupção do país e deu sobrevida a investigados que, na esteira da vitória judicial do petista, têm conseguido reverter nos tribunais acusações relacionadas ao escândalo da Petrobras e até anos de cadeia já em cumprimento. Apesar da bem sucedida ofensiva na esfera criminal, figurões do petrolão travam também uma outra batalha, desta vez para derrubar o risco de serem cobrados em bilhões em processos junto à Receita Federal.
Um levantamento da revista Veja junto à Procuradoria-geral da Fazenda Nacional mostra que os principais personagens do petrolão devem mais de 4 bilhões. São débitos inscritos na Dívida Ativa da União no nome dos próprios investigados ou de suas empresas. Os recordistas são o banqueiro Milton Schahin, com 1,3 bilhão de reais, e o doleiro Alberto Youssef, com passivo de 990,4 milhões de reais.
Embora tenha puxado a fila de anulações de processos na Lava-Jato, apenas o ex-presidente Lula, por exemplo, enfrenta a cobrança de 19 milhões em duas ações fiscais. De investigados próximos ao petista também estão na lista de devedores o ex-ministro Antonio Palocci, cuja empresa foi inscrita na Dívida Ativa com débitos que somam 2 milhões e 300 mil; e o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, com débitos de 13 milhões e 900.



