Porto Alegre – RS – A rotina escolar de um menino de 3 anos, aluno da Escola de Educação Tio Chico, tornou-se um pesadelo após a mãe, a psicóloga Shaiane Costa, descobrir indícios de maus-tratos. Desconfiada do comportamento arredio e do choro excessivo da criança ao chegar perto da escola mantida pela Brigada Militar, a mãe colocou um gravador na mochila do filho. O conteúdo chocou a família: em um dos trechos, ouve-se uma voz feminina dizendo: “Chora, pode chorar, chora bastante, chora com vontade. Senão vou te dar um tiro”.
Sinais de alerta e a descoberta
Antes da gravação, o menino já dava sinais de que algo estava errado. Ele chegava em casa com marcas de mordidas, assaduras severas e sempre pedindo desculpas por qualquer pequeno erro, como derramar água. Shaiane conta que, ao tentar conversar com a direção e a professora, recebia apenas desculpas de que “isso é normal”. No dia em que o gravador foi usado, o pequeno voltou para casa quase sem voz de tanto chorar após ficar cerca de 40 minutos isolado, pedindo pela mãe.
Inquérito e impunidade
Após a denúncia ao Ministério Público e à Corregedoria da Brigada Militar, o caso seguiu um caminho frustrante para a família. A Brigada Militar abriu um inquérito, mas a Corregedoria alegou que os arquivos de áudio não tinham elementos técnicos suficientes para confirmar a autoria da voz e pediu o arquivamento. Mesmo com servidoras da própria escola reconhecendo a voz da professora nos áudios, a instituição não puniu a envolvida, que deixou o cargo apenas no fim do ano, sem explicações.
Recomeço
Hoje, a criança estuda em uma escola particular e recebe acompanhamento terapêutico para lidar com os traumas, como o pânico de portas fechadas — vestígio dos momentos em que ficava trancado na sala da coordenação. O caso segue sob análise do Ministério Público, e a mãe busca que a Justiça dê uma resposta definitiva sobre o que o menino passou naquele local.
Redação, João Lemes; Fonte: BBC News Brasil
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