Ele tem 48 anos e foi assaltado e sequestrado após aceitar pedido de viagem por aplicativo – ele vivenciou o medo da morte
Era uma noite típica de trabalho na vida do motorista de transporte por aplicativo em Porto Alegre. O homem de 48 anos, cuja identidade ele pede para não ser revelada por motivo de segurança, preparava-se para voltar para casa depois de ter atingido sua meta diária de remuneração pelo serviço. A rotina foi rompida e a vida por pouco não foi interrompida em desfecho trágico decorrente de um crime recorrente nas metrópoles: um assalto.
O caso ganhou notoriedade quando outros motoristas registraram uma cena inusitada, posteriormente divulgada por mais de uma fonte em redes sociais. Na imagem, o homem acena de dentro do porta-malas de automóvel em movimento. Faz sinal de arma para alertar sobre o roubo do qual está sendo vítima. Implora com o olhar e faz gesto de fala ao telefone, pedindo que alguém chame a polícia.
O fato que marcará para sempre a vida da família, que tem duas meninas em sua composição, aconteceu na terça-feira passada (3). Eram 22h3min, de acordo com o registro de viagem do aplicativo. O chamado apontava partida no bairro São José. Seria a última volta da noite. O destino era um local pacato no bairro Santa Cecília, de Viamão.
Porém, chegando ao ponto de destino, numa via sem pavimentação aos fundos do Parque Saint Hilaire, veio o anúncio de que antecederia momentos de angústia e incerteza.
O motorista relata que foi tirado a força do carro. Caído no chão e cercado por três criminosos, sofreu mais uma coronhada na cabeça. Desta vez, o ferimento foi mais profundo. Sangrou.
A decisão dos criminosos, no entanto, foi outra: “Me jogaram no porta-malas. Fecharam e deram partida. Não sabia onde estavam me levando, nem o que poderia acontecer. Só pensava nos meus filhos, nos meus pais e na minha companheira. Achei que nunca mais os veria’, emociona-se ao descrever”,conta.
A iniciativa de destrancar o porta-malas deu a chance de escapada. Lá dentro o motorista tomou a resolução que pode ter representado a reviravolta no desfecho que se desenhava desastroso.
As imagens mostram o desespero do motorista. Segundo ele próprio, haveria pelo menos cinco registros em vídeo de sua agonia por socorro.
A salvação, diz ele, surgiu de um breve descuido dos criminosos, na Avenida Cristiano Fischer: “A velocidade reduziu bastante. Foi a uns 30 km/h. Acho que havia um sinal vermelho e eles optaram por reduzir para não terem que parar. Foi aí que saltei do carro em movimento. Não me viram. Escapei e pedi socorro. Fui ajudado pelo segurança de uma lancheria”.
(GZH)




