
O jornal Zero Hora publicou: Quem é o político gaúcho que tem proximidade com os pastores suspeitos de corrupção no MEC?
Marcelo Brum prometeu recursos para a obra social de um dos religiosos, intermediou reuniões com autoridades e frequentou evento privado
Em um culto gravado em 2019, ele chegou a prometer publicamente o repasse de R$ 200 mil em emendas para a construção de um centro do idoso para o pastor Gilmar.
Os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, suspeitos de cobrarem propina de prefeitos para a liberação de verbas do Ministério da Educação e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, têm proximidade com o Marcelo Brum (Republicanos).

Marcelo deixa a Câmara Federal
Marcelo é comunicador de Santiago. Como é suplente de deputado federal, ele exerceu o cargo entre 2019 e a última quarta (30) devido à licença do ministro Onyx Lorenzoni (PL), que deixou a titularidade no Ministério do Trabalho e Previdência. Onyx retomou o mandato na Câmara para concorrer ao governo gaúcho e, com isso, Marcelo Brum deixou o cargo.

Prova da proximidade e das promessas
Vídeos, fotografias e registros em redes sociais mostram que Marcelo Brum prometeu recursos, intermediou encontros com autoridades e frequentou cultos religiosos e eventos privados junto dos suspeitos. Em um culto gravado em 2019, ele chegou a prometer publicamente o repasse de R$ 200 mil em emendas para a construção de um centro do idoso para o pastor Gilmar.
Marcelo Brum se manifestou após uma mulher, ao lado do religioso da Assembleia de Deus, ter mencionado ao microfone a possibilidade de parlamentares indicarem emendas para a obra social. Diante da provocação, Marcelo Brum tomou o microfone e afirmou:
“Então faz o seguinte: como eu sou muito ousado e a minha assessora está lá, o meu chefe de gabinete, estão lá no fundo. Viu, Natalie? Tu bota aí R$ 200 mil aqui para o lar do idoso do pastor Gilmar, tá?”
O líder religioso pegou o microfone, olhou nos olhos de Brum, estendeu a mão em cumprimento e disse: “Vamos juntos. Vamos juntos. Amém, meu amado”.
É de praxe que os deputados federais suplentes não façam a indicação das emendas parlamentares formais ao orçamento. Os titulares dos cargos assumem temporariamente os mandatos, fazem as indicações das emendas em um curso de horas e, depois, voltam a se licenciar.

Passou a conversa no pastor Gilmar
Nos quatro anos em que exerceu o mandato de deputado federal (2019 a 2022), Brum indicou emendas somente em 2020. Foram 15 indicações, a maioria delas para a área da saúde, somando R$ 15,170 milhões. Uma das destinações visava R$ 1,5 milhão em recursos do FNDE, mas ela foi a única a não ser paga. Nenhuma emenda parlamentar de Brum tratava da promessa feita ao pastor Gilmar no ano anterior.
Prefeitos deveriam pagar propina
Prefeitos de diferentes regiões do Brasil denunciaram, nos últimos dias, terem recebido pedidos de propina dos pastores em troca da liberação de verbas para a educação. Os religiosos exerceriam influência junto ao MEC e conseguiriam liberações breves, sem critérios claros para contemplar municípios. O caso já determinou a queda do então ministro da Educação, Milton Ribeiro, gravado dizendo que recebia os dois pastores a pedido do presidente Bolsonaro.
Em publicação de 4 de julho de 2019 nas redes sociais, Marcelo Brum aparece ao lado do pastor Arilton em reunião em Brasília com Onyx, então ministro-chefe da Casa Civil.
Marcelo Brum postou: “Acompanhado do pastor Arilton Moura, presidente da comissão política da convenção das Assembleias de Deus Ministério Cristo para Todos, me reuni com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para apresentar-lhe um projeto de recuperação, capacitação e profissionalização de jovens e adultos para o mercado”.
Marcelo Brum comentou a intermediação de agendas para os religiosos no mesmo culto em que prometeu os R$ 200 mil. Na ocasião, afirmou:
“E na terça-feira, ele (Arilton) teve pela manhã no gabinete e, à tarde, eu tinha uma agenda com a ministra Damares Alves, nossa ministra da Família (Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos). E também eu tinha uma agenda com o ministro Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil (Onyx ocupava esse cargo em 2019), e nós convidamos o pastor Arilton para também estar lá na Casa Civil com o ministro”.
Em outras imagens, Marcelo Brum aparece ao lado do pastor Gilmar em gabinetes, em cultos e na festa de aniversário do religioso, em Goiás.
Político diz que repasse a pastor não foi concretizado
O ex-deputado Marcelo Brum afirmou à Zero Hora que, devido a questões burocráticas e legais, os prometidos 200 mil para o lar do idoso do pastor Gilmar Santos não foram repassados.
“Eles solicitaram recursos, só que não tinha como mandar para outro Estado. A gente fez menção, temos interesse em ajudar os projetos sociais. Só que não tinha como e não fizemos. Não havia legalidade para enviar os recursos. Não deu certo. É só isso. Um relacionamento profissional”, explica Marcelo Brum.
Ele negou qualquer hipótese de eventual repasse ter sido feito com base nas emendas do relator, também conhecidas como o orçamento secreto, em alusão ao seu caráter sigiloso.
“Não, eu não tinha emenda de relator. O que a gente indicou (de emenda) é aquilo que está no portal (Transparência), é o que está registrado. Não houve nenhuma indicação para o Gilmar”, disse ao jornal Zero Hora.



