O comprimido para controlar a glicose é um dos medicamentos mais receitados ainda hoje

“Brinco com meus colegas médicos: se você fosse paciente, botaria fé num remédio para diabetes que tem uns 100 anos e é fornecido de graça pelo SUS? Provavelmente, não! E ainda julgaria que o doutor está desatualizado”, diz Carlos Eduardo Barra Couri, endocrinologista, pesquisador da USP de Ribeirão Preto e criador do Endodebate e do Diacordis.
De fato, houve inúmeros lançamentos de remédios para o diabetes tipo 2 nos últimos anos. Mas as novas classes e princípios ativos não eliminam do jogo um comprimido que conhecemos de longa data e continua tendo um papel a cumprir.
A metformina foi isolada em laboratório por uma dupla de químicos da Irlanda, Werner e Bell, em 1922. A substância foi extraída originalmente de uma planta chamada lilás francês.
Os estudos com a molécula evoluíram até termos a versão sintética que as pessoas tomam hoje. E ainda estamos aprendendo como ela promove a redução dos níveis de glicose no sangue.
O que se sabe é que a metformina ajuda a contornar a resistência à insulina, um problema que faz o açúcar sobrar na circulação. Isso porque ela diminui a produção de glicose pelo fígado. Agora descobriu-se que o remédio instiga as mitocôndrias (a usina de energia das células) a gastar mais energia consumindo glicose.
Cientistas já desvendaram também que ele parece modificar a flora intestinal, melhorando indiretamente a resistência à insulina, e induz as células do intestino a captarem mais glicose, fazendo com que ela diminua no sangue. Em suma, ainda há muito a ser decifrado.
Na prática, pessoas com diabetes tipo 2 são orientadas a ingerir a metformina diariamente, independente de terem se alimentado ou não. Alguns pacientes se queixam de diarreia ou mesmo que o comprimido foi expelido nas fezes, o que não significa que o remédio não está agindo no organismo (o princípio ativo pode ser absorvido e o corpo só está descartando os demais componentes do comprimido). (Revista Veja)



