
Os estoques conseguem manter tudo abastecido por 38 dias
O país tomou conhecimento de um ofício da Petrobras ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional do Petróleo alertando sobre o risco de desabastecimento de diesel no segundo semestre.
No governo, a reação foi apontar chantagem da estatal, após a intenção de fazer uma troca rápida no comando, informa a jornalista Marta Sfredo, de Zero Hora.
No ofício assinado pelo ainda presidente, José Mauro Coelho, a Petrobras alerta que “diante do cenário de escassez global de diesel e do cronograma de paradas programadas das refinarias, a Petrobras entende que há elevado risco de desabastecimento de diesel no segundo semestre de 2022.
Essa é uma das consequências da guerra na Ucrânia, além da retomada do consumo na China pelo fim dos lockdowns. A Rússia responde por um quarto de todas as exportações globais de diesel e esse mercado está passando por um “momento raro”, com pressões de preço.
Os preços
“Uma refinaria compra petróleo e vende o conjunto dos derivados por um preço médio por barril. A diferença é a margem de refino. A média histórica é de US$ 10. Nos momentos de alta, chegou a US$ 20. Nunca havia passado de US$ 30. Agora, está em US$ 60. Ou seja, com o petróleo a US$ 115, o consumidor paga, na média, US$ 115+ US$ 60, ou seja, cerca de US$ 175.
“Se houver desequilíbrio, como o mercado de refino está apertado podem surgir problemas no suprimento de diesel na Europa e no mundo. Se aqui os preços não estiverem alinhados, ficará mais difícil trazer produto”, diz Décio Oddone, ex-diretor-geral Agência Nacional do Petróleo.
“Tem possibilidade de falta de S10 (diesel com menor teor de enxofre) em junho. A Refap cortou 15%, e as importadoras dizem que há até R$ 0,50 de defasagem. Não acreditamos em desabastecimento generalizado, mas novamente poderá ser seletivo, prejudicando quem compra no mercado spot, (sem contratos).”
Pelos dados mais recentes, os estoques de óleo diesel S10 representam 38 dias de importação. Em outras palavras, se as importações desse combustível fossem cessadas hoje, os estoques, em conjunto com a produção nacional, seriam suficientes para suprir o país por 38 dias”.
Para lembrar, o Brasil depende bem mais da importação de diesel do que de gasolina. Se a intenção era tranquilizar, não parece ter sido muito efetiva.



