O Brasil do dia seguinte

Publicado em

O desafio de reconstruir um país fraturado. Eis o papel do próximo presidente

Houve um tempo em que as mais apaixonadas discussões políticas costumavam desencadear apenas disparos retóricos contra os adversários. Terminada a contabilização dos votos, os perdedores se entrincheiravam na oposição, aceitando o resultado e dando sequência ao jogo democrático.

Eram tempos românticos quando comparados ao que se vê na atualidade. Inédita em níveis de agressividade, a atual batalha pelo Palácio do Planalto contaminou o país com uma mistura tóxica de ódio pessoal e de polarização ideológica, não raro descambando para tiros de verdade, como se viu no último domingo, quando o ex-deputado Roberto Jefferson recebeu a balas e granadas uma equipe da PF encarregada de cumprir contra ele um mandado de prisão expedido por Alexandre de Moraes, ministro do STF e atual presidente do TSE.

A atual batalha pelo Palácio do Planalto contaminou o país com uma mistura tóxica de ódio pessoal e de polarização ideológica.

“Nunca vi nada igual”, diz o ex-presidente Michel Temer, com base na experiência de ter disputado oito eleições (seis para o Congresso e duas como vice na chapa de Dilma Rousseff). “Na minha época, eram registrados alguns atos mais agressivos, mas não havia esse nível de violência”, afirma.

Além da disputa levada às vias de fato em mais de um episódio trágico da campanha (sinal dos tempos, o papa Francisco chegou a pedir recentemente à Nossa Senhora Aparecida que livre o brasileiro do do ódio), nunca se viu também tamanha contestação às autoridades encarregadas de arbitrar as eleições, que vai das críticas à lentidão do TSE no combate à saraiva de fake news e chega até a contestação da lisura do pleito, feita à base de argumentos aloprados a respeito da confiabilidade das urnas eletrônicas.

Como reflexo dessa confusão, boa parte dos adeptos de Bolsonaro e de Lula da Silva se dedica a desqualificar os adversários, imbuídos do espírito de guerra do bem contra o mal.

Rescaldo de ódio e ressentimento

Diante desse clima, é certo que haverá um rescaldo de ódio e ressentimento pairando sobre o país após o anúncio do resultado. Dentro dessa óptica, a eleição não acaba no dia 30. Um dos pontos centrais para atenuar o clima de “terceiro turno” serão os primeiros passos do vencedor no período de transição e, sobretudo, sua postura no início do governo.

Um país estressado
O eleito sempre chega embalado pelo poder das urnas para promover o que precisa ser feito, mas, no atual cenário de radicalização, esse período adquire uma relevância ainda maior. Além de sinalizar que precisa governar para todos, o vitorioso deverá entender que encontrará um país estressado, fraturado e que precisa se recompor. “A primeira coisa é um discurso para quem não votou nele, chamando para conversar, dizendo que foi eleito o presidente de todos”, afirma Cristovam Buarque, que foi ministro de Lula. (Revista Veja)

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

184.758

132,618FãsCurtir
73,451SeguidoresSeguir

Notícias Recentes

Motociclista morr3 em acidente ERS-307

Campina das Missões - RS - (Região de Santa Rosa) - Leonardo Theisen, de...

Quatro são presos após assalto a posto

São Pedro das Missões/Palmeira das Missões - RS - A Brigada Militar recuperou cartões...

Brigada Militar prende cinco suspeitos de ataques a bancos

Pejuçara - (região de Cruz Alta) Noroeste - RS - Uma tentativa de arrombamento...

A polícia investiga a mort3 de um gaúcho após briga de casal

Balneário Gaivota - SC - A Polícia Militar encontrou Kauã Corrêa Pereira, de 32...

Leia Também

Motociclista morr3 em acidente ERS-307

Campina das Missões - RS - (Região de Santa Rosa) - Leonardo Theisen, de...

Quatro são presos após assalto a posto

São Pedro das Missões/Palmeira das Missões - RS - A Brigada Militar recuperou cartões...

Brigada Militar prende cinco suspeitos de ataques a bancos

Pejuçara - (região de Cruz Alta) Noroeste - RS - Uma tentativa de arrombamento...