Santiaguense indignada com o
(des)atendimento da Samu
Fátima Friedriczewski
(servidora pública)
Minha filha e eu caminhávamos na Aparício Mariense, quando vimos uma pessoa caída (perto do mercado Bazzana) aparentemente desmaiada, com as mãos roxas, passando muito mal. Era um homem que havia passado correndo por nós uns 10 min antes. O que poderia ter acontecido, um ataque, um infarto? Qual leigo saberia?
Vários tentavam ajudar. Alguns telefonavam para a Brigada, outros para os Bombeiros. Aí tive a infelicidade de ligar para o Samu. Alguém atendeu e disse que ia passar para o médico falar comigo, mas o médico não atendeu, ficou tocando uma gravação dizendo quais os casos de urgência em que o SAMU poderia ser chamado etc. Esperei meia hora e desliguei. Uns pediram para eu ligar para a imprensa. E todo esse tempo o homem continuava estrebuchando.
Minha filha ligou novamente para o Samu e disse que iria reclamar para a ouvidoria deles, mas a deixaram novamente naquela gravação. Ela esperou um pouco, ninguém atendeu, então desligou.
E o homem continuava do mesmo jeito caído no chão. E já estava anoitecendo e não chegava nem um socorro, e os caminhantes parados para não deixar o homem sozinho caído. Nisso passou um carro da Brigada que parou e militares foram verificar o que era. Dali há alguns minutos chegou a ambulância dos Bombeiros. Penso que foram os militares que ligaram para os Bombeiros com sucesso, mas realmente não vi.
Quando o homem já estava sendo socorrido e já era noite, e eu e minha filha retornávamos para casa, recebi uma ligação do telefone 051 3320-0100, do Samu. Passaram a ligação para o médico, que em vez de procurar saber o que havia acontecido, passou a me desacatar e me ameaçar que a ligação estava sendo gravada. Desliguei. Não havia o que fazer. Seria muita burrice ficar ouvindo insultos de quem deveria dizer palavras boas e socorrer quem precisa.
A Constituição diz que saúde é direito de todos e dever do Estado, que deve agir para a redução do risco de doença e de outros agravos, dando acesso universal e igualitário aos serviços.” Então, que país é este? Pensava que o descaso, o abandono e a crueldade eram praticados por alguns humanos contra os animais. Mas hoje vi que existem coisas muito piores. Então pergunto: onde está a humanidade? Onde ‘está o Estado’?


