
O maior golpe da pecuária gaúcha fez vítimas em três cidades da região: Santiago, Nova Esperança e Itacurubi.
No último domingo o programa Fantástico noticiou. Mais de 30 pecuaristas da Região Central denunciaram casos semelhantes. A polícia calcula prejuízos de 30 milhões.
Os pecuaristas da região de Santiago levaram golpe de 670 mil. Um produtor de Nova Esperança teve o maior prejuízo; 270 mil. Em Santiago, conforme o Delegado Édson Reis, outro agropecuarista foi vítima, cujo prejuízo ficou em 180 mil.

Dois presos
Foram presos dois suspeitos de aplicar golpes em 10 municípios. Os produtores vendiam animais para os suspeitos, mas não recebiam. Marco Gilberto Müller Becker Filho foi localizado em Porto Alegre. O outro, Fabiano Saraiva Marques foi preso em Caçapava.

Como era a compra do gado
O golpista comprava gado por um valor a prazo, para pagar em um mês, dois meses, e vendia esse mesmo gado por um preço mais baixo e prazo menor e ia girando esse dinheiro. Até que ficou devendo para bastante gente.
O gado era vendido sem contrato, em uma negociação informal. O pagamento era feito através de depósitos bancários ou cheques pré-datados.
Golpe de 4 milhões
Um dos produtores (região Central) de 45 anos, diz ter sofrido prejuízo de R$ 4 milhões e meio. Há quase 30 anos trabalhando no ramo, ele conta que o negociador era considerado como um amigo e que negociava gado e frequentava a casa da vítima. Após vários bons negócios, ele negociou 542 cabeças com o suspeito. Dessas, 342 novilhas estavam prenhas.
Em São Sepé, Márcio Bolzan Souza, 47 anos, tem vivido momentos de angústia. Na metade de maio, Márcio fez mais uma venda de um lote com 41 animais – 10 novilhas prenhas e 30 bois. O valor foi avaliado em R$ 140 mil e o prazo foi acertado em um mês.
O pai do produtor teria ficado com R$ 134,9 mil de prejuízo, o sobrinho, R$ 135,2 mil e o irmão, R$ 35 mil, num total de R$ 490 mil entre os quatro.
Todos eles na mesma forma de negociação. Os rebanhos foram levados e o pagamento deveria ser feito em um mês depois. Márcio relata que conhecia familiares do negociador. Marco Gilberto estaria trabalhando há cerca de dois anos com a compra e venda de gado.
“Era uma pessoa conhecida. Sempre muito educado, tranquilo”
“Não era um desconhecido. Confiávamos. Somos pequenos produtores. Nos primeiros dias, foi difícil de acreditar. Não conseguia dormir de noite, tinha de tomar remédio. É um baque. Uma vida toda de trabalho”, desabafa ele ao jornal Zero Hora.




