O salário do trabalhador se derrete no açougue

O salário mínimo nacional está em 1.621. Dividindo pelos 30 dias do mês

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O salário mínimo nacional está em 1.621. Dividindo pelos 30 dias do mês, o trabalhador ganha cerca de 54 por dia. Já o quilo do contrafilé gira entre 58 e 66. Ou seja: um dia inteiro de trabalho já não compra um quilo de carne de qualidade média.

É uma conta simples. O sujeito acorda cedo, enfrenta serviço, trânsito, cobrança e, no fim do dia, descobre que o valor produzido em horas de trabalho vale menos que um quilo de contrafilé na prateleira. A matemática não fecha. E quando a matemática não fecha, quem fecha a conta é sempre o consumidor.

Exportação bate recorde. O prato sente

A carne brasileira continua saindo do país em volumes históricos. É bom para quem exporta. É bom para a balança comercial. Mas para quem está na ponta da fila do mercado, o resultado aparece na etiqueta.

Enquanto o preço sobe, o salário caminha em passos curtos. O trabalhador vê a carne virar item de ocasião especial. O churrasco de domingo, que já foi costume, começa a ganhar cara de evento. E quando um quilo de carne custa mais que um dia de trabalho, o problema não está no açougue. Está no poder de compra.

O churrasco vira visita

Antigamente o sujeito perguntava: “Vai ter churrasco domingo?”. Hoje a pergunta é outra: “Quem vai pagar?”. A carne continua no balcão. O problema é que o dinheiro ficou do lado de fora.

O trabalhador entra no mercado cheio de esperança e sai fazendo contas. Olha o preço do contrafilé. Depois olha o salário. Depois olha o carrinho. E acaba olhando para o frango. O contrafilé virou quase peça de museu: todo mundo vê, mas poucos levam para casa.

A vaca não foi para o brejo

Dizem que o Brasil é um dos maiores produtores de carne do mundo. E é verdade. O curioso é que o brasileiro olha para toda essa abundância e continua disputando espaço com a linguiça mais barata da promoção.

O país produz como gigante. Exporta como gigante. Mas o trabalhador compra como nanico. E assim seguimos: o boi engorda, a exportação cresce e o bolso emagrece. Enquanto isso, o cidadão faz a única coisa que ainda não foi taxada: sonhar com um churrasco sem precisar parcelar a carne. (Redação, João Lemes)]

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