
São Nicolau – Mesmo com os inúmeros alertas, orientações, pedidos de maior cuidado ao manusear máquinas e equipamentos agrícolas próximos dos postes das redes elétricas, em razão dos vários acidentes registrados nos últimos dias, nesta semana ocorreu mais um imprevisto, que por muito pouco não terminou em uma tragédia.
Na quarta (14), a Cermissões foi comunicada que o operador de um trator que realizava o plantio de soja em uma lavoura no Rincão do Conde, atingiu um poste de luz com a marcadeira da semeadeira. Com o impacto, o poste quebrou e caiu, e o cabo ficou energizado sobre o reservatório plástico de sementes da semeadeira. O isolador que fica na ponta do poste não chegou a tocar totalmente no chão, pois o poste ficou parcialmente suspenso, e por esses motivos não desarmou a chave de proteção da rede, aumentando o risco de uma fatalidade.

OPERADOR FICOU TRÊMULO AO SABER QUE A REDE ESTAVA ENERGIZADA
Ao chegar no local do acidente, os socorristas da Cemissões de Pirapó, imediatamente constaram que a rede ainda estava energizada, e ao conversar com o operador do trator, o mesmo relatou que em razão da marcadeira estar levantada, e por passar muito próximo do poste, ocorreu o contato. Disse ainda que acreditava estar seguro usando um “coturno do quartel” (botina), e por isso, após o impacto, abriu a porta da cabine do trator, desceu e cruzou debaixo do fio energizado, como se estivesse cruzando debaixo de uma cerca elétrica usada em para conter animais em pastagens.
Cristiano informou o operador que o cabo monofásico que caiu sobre a semeadeira estava energizado com 13.100 Volts, (uma cerca elétrica nos pequenos picos de tensão possui de 127 a 220 Volts), e que de nada adiantaria seu “coturno”, se houvesse humidade no solo, e se o cabo tivesse escapado do isolador e tocado no chão formando o “arco voltaico”, ou se o mesmo tivesse encostado no cabo energizado.
Ao repassar essas informações, e o real risco que o mesmo havia corrido ao descer do trator após o acidente, o mesmo ficou trêmulo e aliviado por ter escapado ileso. “Muitas vezes é preciso ter sorte, e desta vez esse operador teve muita, pois vários fatores foram favoráveis para que o mesmo saísse com vida deste acidente”, salientou um socorrista.
Para fins de esclarecimento, o máximo de proteção que uma bota isoladora, iguais às de uso dos funcionários da Cermissões, é 1.000 Volts, portanto o “coturno” que o operador usava seria inútil se ele tivesse tocado no cabo energizado.
Conforme o engenheiro eletricista da Cermissões Nerisom Rohleder, este acidente só não foi fatal em razão das causas já mencionadas, e devido ao cabo não ter atingido uma parte metálica do trator. “Em muitas situações, a pressa e um pequeno descuido pode ser fatal, e esse operador ao passar debaixo e muito próximo do cabo energizado, arriscou sua vida, mas graças a Deus, nada de mais grave aconteceu”, disse Nerisom.
Fonte: Cermissões



