OPINIÃO – Doença? Distúrbio? Sem-vergonhice?

Os casos que voltaram ao debate público, como o escândalo ligado a Jeffrey Epstein

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A ciência é objetiva. Pedofilia é classificada como transtorno mental nos manuais internacionais como o DSM-5 da American Psychiatric Association e também nos critérios da Organização Mundial da Saúde. Trata-se de atração persistente por crianças antes da puberdade. Não é orientação sexual. Não é estilo de vida. Também não é apenas “falta de vergonha”. É um distúrbio do comportamento com base psicológica e, em alguns casos, alterações no controle de impulsos. Isso explica o mecanismo. Não justifica o ato.

Os casos que voltaram ao debate público, como o escândalo ligado a Jeffrey Epstein e sua rede de abusos envolvendo menores, mostram outra face do problema: quando o transtorno se soma a poder, dinheiro e sensação de impunidade, o dano se amplia. O que a neurociência aponta é um ciclo parecido com vício. Tensão, fantasia, impulso, ato, alívio curto e depois repetição. Não há saciedade definitiva. Há compulsão. E quando passa da fantasia para a prática, deixa de ser apenas questão clínica. Vira crime.

No fim, a discussão não pode ser ingênua. Existe o aspecto médico. Existe o aspecto moral. E existe o aspecto penal. A ciência reconhece o transtorno. A lei pune o abuso. A sociedade precisa proteger a vítima. Tratar não significa absolver. Explicar não significa relativizar. O foco central deve ser sempre um: impedir que crianças sejam feridas.

O caso Epstein

O caso de Jeffrey Epstein ocorreu principalmente nos Estados Unidos e no Caribe, com abusos registrados em mansões em Nova York, Flórida, Novo México e em sua ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas. Ele foi acusado de comandar uma rede de tráfico sexual de meninas, algumas com cerca de 14 anos, recrutadas para exploração sistemática, com apoio de colaboradores. A gravidade é extrema, porque envolveu dezenas de vítimas, anos de atuação, proteção institucional e conexões com figuras poderosas. Preso novamente em 2019 por crimes federais, Epstein morreu na prisão antes do julgamento. O caso expôs falhas graves da Justiça, sensação de impunidade e um dos maiores escândalos de abuso sexual envolvendo elites nas últimas décadas.

(Redação, João Lemes)

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