(João Lemes) Em 2018, quando Hamilton Mourão esteve em Santiago como candidato a vice-presidente, perguntei quando o Estado assumiria o controle das cadeias para impedir que os presos continuassem comandando crimes. Ele respondeu: “Só com a privatização”. Os anos passaram, e seguimos noticiando ordens que saem das celas. Enquanto isso, candidatos prometem mais presídios. Para quê, se o criminoso entra e continua dando ordens?
A polícia fica enxugando gelo, e o leitor tenta entender como uma operação cumpre novos mandados de prisão contra quem já está preso. Esses mandados têm função judicial, mas expõem o absurdo: prender não está interrompendo a atividade criminosa. É preciso bloquear a comunicação ilegal, fiscalizar quem facilita o esquema e responsabilizar quem permite que ele continue. Construir mais cadeias sem controlar o que acontece dentro delas é ampliar o endereço do problema.
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