
Autoridades da saúde, segurança e educação analisam o ano que passou
Santiago – A jornalista Sandra Siqueira entrevistou o secretário de Saúde, Éldrio Machado; o delegado regional Guilherme Antunes e a professora Michele Beltrão, diretora da URI. A jornalista propôs, num primeiro momento, que cada um analisasse um tema, fora da sua área de atuação. Os três falaram sobre os melhores e piores momentos de 2021 em suas áreas de atuação e as perspectivas para 2022.
Ano desafiador
Michele disse que o ano foi desafiador, principalmente na área da saúde. Elogiou o trabalho em Santiago, o que a torna uma cidade diferenciada. “Quanto à vacinação, Santiago sempre esteve na frente, liderando os índices no Estado e no Brasil. Também temos um hospital diferenciado. Quanto ao Brasil, o país demorou para iniciar a vacinação, mas avançamos. Então, é preciso reconhecer os nossos avanços, independentemente de nossas escolhas partidárias”.
Foi preciso se reinventar
O delegado Guilherme falou sobre a educação e os desafios que iniciou ao começar a carreira de professor de Direito. “Foi um desafio começar a ministrar aulas e precisei me reinventar. Neste aspecto da educação, dependeu muito da gestão, já que muitas universidades e escolas no Brasil pararam. Não percebi grandes perdas na educação, já que depende muito da dedicação do aluno, em qualquer método de ensino. O conhecimento está disponível a um toque. Basta o interesse de cada um.
Sobre a educação em Santiago, disse que temos referências em todos os níveis. “As escolas públicas infantis são consideradas tão boas quanto as privadas, por exemplo. E isso reflete também na segurança pública, e fará a diferença mais adiante nesse setor”.

Um trabalho policial excelente
O secretário Éldrio Machado abordou a segurança. “Os policiais não tiveram home office. Nunca saíram das ruas e temos este débito com todos eles. Em Santiago, o trabalho policial é excelente. A criminalidade está presente em cidades que se desenvolvem. Mas as ações da polícia têm combatido com eficiência e louvor. Já no Brasil, as polícias (não os integrantes, mas as corporações) ainda precisam dar uma resposta e a segurança pública precisa ser repensada”.
Apesar da pandemia, as contas estão em dia
Falando sobre educação, a professora Michele disse que em Santiago há excelência e qualidade. “Nas Emeis, é de se ficar encantada com tudo que é oferecido. No nosso município, a educação pública não deixa a desejar. Aqui as pessoas agem em grupos e fazem a diferença. É assim que precisa funcionar e funciona a nossa educação”.
Quanto à escola da URI, Michele disse que é uma exportadora e importadora do DNA da URI, fazendo a diferença nas comunidades onde os futuros profissionais forem atuar.
“O momento fez me sentir pequena”
A pandemia impactou negativamente nas contas da universidade. “Passamos por um momento difícil e me senti pequena, recorrendo até a médicos. Mas nunca me senti sozinha, tendo apoio de Deus, família, amigos e colegas. Com nossa equipe de trabalho e do grupo, fomos estratégicos no gerenciamento de riscos.

A URI está quebrada? Veementemente, não!
Tomamos várias medidas, que já vinham ocorrendo desde 2019, e conseguimos colocar tudo em dia. Chegamos a atrasar salários por 18 dias, impactando muitas vidas. A URI está quebrada? Veementemente, não! Uma instituição que tem patrimônio de até seis vezes o que tem financiado em bancos e está honrando em dia, se reinventa e está tocando obras, segue em frente, forte e firme. Volto a frisar! Terminamos o ano com tudo em dia”.
A Segurança Pública nunca parou
O delegado Guilherme disse que, assim como os profissionais de saúde, a segurança pública não parou e houve aumento na demanda. “A Segurança se reinventa a cada dia, sendo preciso criar novas maneiras de agir. O que os nossos governantes, em nível de Brasil, precisam fazer urgentemente é em relação ao modelo carcerário. Se isso não for tratado como prioridade, nós policiais, vamos seguir enxugando gelo.
É preciso ressocialização
É preciso que haja ressocialização, acabar com a comunicação externa investindo em bloqueadores de celulares. Os comandos das grandes organizações criminosas estão presos, mas de dentro das cadeias determinam todas as ordens, desde execuções, quem venderá drogas etc”.
Uma polícia mais equipada
Quanto aos equipamentos, Guilherme disse que vem evoluindo e que novas pistolas, fuzis e viaturas são de qualidade e a compra vem sendo feita com recursos de parte do ICMS destinados pelos empresários, conforme previsto em lei. Guilherme também explicou que o armamento (principalmente fuzis) retirados das mãos de criminosos, passam a ser utilizados por policiais no combate à criminalidade.
Tráfico:
Quantas as mais de 100 prisões feitas em Santiago em 2021, disse que foi preciso investir em grandes operações para o sucesso, inclusive com o uso de helicóptero. “Falando em tráfico de drogas, houve um aumento de 400% de prisões de 2020 para 2021 em Santiago. Fechamos o ano com 103 prisões por tráfico. É resultado do empenho e dedicação das forças policiais, que também resultaram no menor número de homicídios com município, com apenas um caso”.

Chegamos a brigar por vacinas
O secretário Éldrio Machado disse que durante a pandemia os dias são de luta. “Quando assumi a Saúde, o objetivo era fazer a gestão. Sequer imaginávamos que teríamos pandemia. Tive a oportunidade de aprender com os técnicos, com os médicos, enfermeiros e psicólogos. O gestor de saúde é muito exigido em muitas questões.
Chegamos a brigar por vacinas e por isso saímos na frente, ficamos 12 horas na Coordenadoria em Santa Maria para pegarmos as primeiras doses. Fomos um dos primeiros municípios a fazer planejamento para enfrentar a pandemia e também para impedir a transmissão comunitária, segurando a propagação da doença até que estivéssemos mais preparados.
Atendemos todos os casos
Peleamos por recursos, que só chegaram em 2020, mas em 2021, no pior momento, não veio e precisamos contingenciar recursos próprios. Também é importante destacar que a saúde continuou atendendo a todos os casos de doenças crônicas durante a pandemia. O que parou foram as cirurgias eletivas (agendadas) que agora deverão ser colocadas em dia.
Folga no pronto-socorro
A implantação do PAM diminuiu a demanda no pronto-socorro, agilizando todos os atendimentos, já que funciona após o horário dos ESFs. Quanto à farmácia básica, o secretário Éldrio explicou que há dois anos não se registram falta de medicamentos.
O negacionismo só atrapalha
Éldrio Machado criticou o negacionismo e destacou que umas duas mil pessoas ainda não se vacinaram em Santiago sequer com a primeira dose. Criamos o Vacinight e a VANcina, o que tem ajudado para quem não dispõe de tempo livre para ir aos postos no horário de atendimento. Quanto à vacinação das crianças de 5 a 12 anos, estamos com um exército de vacinadores à espera das crianças, mas depende da liberação das doses pelo Ministério da Saúde.



