
O negócio era viabilizado por meio da empresa CHM do Brasil Metais e sua parceira diretamente na Itália especializada em recuperação e refino de metais preciosos
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foi quem descobriu as operações
Pará – A Operação Terra Desolata, da Polícia Federal, desbaratou uma organização criminosa que envolve dezenas de empresas, cooperativas e funcionários fantasmas para um esquema de extração ilegal e venda de ouro para o exterior. Um dos principais elos da quadrilha é a atuação de uma família de italianos que atua há décadas no comércio de ouro.
Pai e filho, Mauro Dogi e Giacomo Dogi chegaram a adiantar dezenas de milhões a agentes do garimpo, para receber depois a mercadoria retirada ilegalmente da terra indígena Kaiapó, no sul do Pará.

O inquérito aponta que a empresa da família Dogi, a CHM do Brasil, sediada em Goiânia, fez 3.179 operações de compra de joias, pedras e metais preciosos no período de cinco anos entre setembro de 2015 a setembro de 2020, movimentando mais de R$ 2 bilhões e 14 milhões.
Só para garimpeiros do Sul do Pará, os quais raramente têm o documento de permissão de lavra garimpeira, a empresa desembolsou R$ 246,5 milhões no período, valor que corresponde a cerca de mil quilos de ouro extraído de forma ilegal.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) levantou que a italiana Chimet SPA remeteu à CHM do Brasil mais de R$ 2,10 bilhões. A Chimet SPA foi acionada pelo Estadão, mas não se manifestou.
O problema é que nem Walterly, sua irmã ou sua empresa, a W.G.P. dos Santos Comércio de Metais, tem autorização de compra e venda de ouro ou permissão de lavra garimpeira, além de não serem classificados como Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Ou seja: não têm condição para realizar atividades relacionadas ao comércio de minério e metais preciosos. (Estadão).




