
Oito dos 11 candidatos ao Piratini participaram do evento nesta terça-feira na rádio Gaúcha
O ex-governador Eduardo Leite (PSDB) foi principal alvo dos adversários. Reveja as principais partes numa síntese do jornal Zero Hora.
Oito dos 11 candidatos participaram: Edegar Pretto (PT), Eduardo Leite (PSDB), Luis Carlos Heinze (PP), Onyx Lorenzoni (PL), Ricardo Jobim (Novo), Roberto Argenta (PSC), Vicente Bogo (PSB) e Vieira da Cunha (PDT). Ficaram de fora Carlos Messalla (PCB), Paulo Pedra (PCO) e Rejane de Oliveira (PSTU).
Pesquisa – Com 32% das intenções de voto na pesquisa Ipec/RBS divulgada na véspera, Eduardo Leite foi cobrado por quase todos os outros candidatos. O mais enfático nas críticas era Onyx, segundo colocado no Ipec.

Frisando a aliança com o presidente Bolsonaro, Onyx atacou a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, a burocracia na liberação de empreendimentos e a performance da economia estadual na gestão do tucano.
— Desde a posse do governador que renunciou, até sua saída, nosso PIB caiu 2,24%. O Brasil, nesse mesmo período, graças a todas as medidas de enfrentamento à pandemia do presidente Bolsonaro, cresceu 3,05% — comparou Onyx, em resposta a uma pergunta de Edegar Pretto.
Na réplica, o petista aproveitou para equiparar os dois rivais, lembrando que Leite votou em Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2018 e que o partido de Onyx fez parte da gestão tucana no Estado. Recorrendo à mesma tática de nacionalização da campanha empregada por Onyx, Edegar Pretto repetia que é o candidato de Lula no RS e a todo momento citava investimentos e programas criados em governos anteriores do PT.



— O projeto do Onyx e do Leite é o mesmo. Se os números da Farsul estiverem corretos, a queda no PIB será de 8%, o pior resultado dos últimos anos de um governo — afirmou Pretto.
Defensor histórico da educação, Vieira da Cunha reprisava em cada manifestação a necessidade de investimentos no setor. O pedetista, porém, também buscou equiparar Eduardo Leite e Onyx.
— Nas palavras do candidato Onyx, parece que está tudo às mil maravilhas. Nas palavras do candidato Leite, parece que é outro Estado. O mundo da fantasia dos candidatos não existe — disparou.
O tema da educação também pautou as preocupações de Heinze. O candidato reclamou de lentidão nas obras em escolas e da performance dos estudantes nos exames de desempenho durante a gestão de Leite:
— A educação está péssima. No seu governo, um estudante do terceiro ano do Ensino Médio é 62 negativo em português e, pasmem, 92 em matemática.
Eduardo Leite evitou responder individualmente a cada ataque. Sem revidar, comentou as críticas somente nas considerações finais, quando pediu um enfrentamento conjunto dos problemas do Estado.
— Os gaúchos me conhecem, sabem a forma como trabalho. Trabalho pela união, não pela divisão. Aliás, consegui produzir aqui uma união dos candidatos contra mim. Mas ao contrário de se unirem contra uma pessoa, convido a todos que se unam contra os problemas — afirmou.
A tensão no estúdio durante o debate já pairava antes mesmo do início do programa, ante o temor de atraso de um dos candidatos. Último a chegar, Onyx só desembarcou no estacionamento da RBS TV às 7h50min, exatamente o horário limite.
Após os confrontos diretos no segundo bloco, as perguntas específicas voltaram na etapa seguinte, quando os candidatos foram submetidos a questões sobre estiagem, política tributária, empreendedorismo, transporte e agricultura familiar, suscitadas por representantes de segmentos relevantes da sociedade gaúcha.
Correndo por fora, Argenta, Jobim e Bogo defenderam seus programas de governo. Embora tenha sido o único entre os três a atacar Leite, Bogo manifestou disposição de renegociar o acordo da dívida com a União.
— O tema da dívida é o ponto número um de todos os candidatos e não é de fácil solução, mas é necessário reabrir essa discussão. Já se pagou bastante e é preciso encontrar uma equação — argumentou.
Pouco antes, Argenta citou sua principal preocupação ao falar sobre a capacidade transformadora da educação sobre a geração de empregos.
— O emprego garante o presente e a educação garante o futuro. Temos de ter mais escolas técnicas para que os jovens possam pensar em ter um emprego bom quanto tiverem 17,18 anos – exemplificou.
Sempre frisando que não é um político profissional, Jobim tentou se diferenciar dos candidatos ao destacar a prática do partido Novo de não usar recursos dos fundos eleitoral e partidário. Jobim disse que pretende privatizar o Banrisul e promover uma ampla reforma tributária.
— Nunca foi tentado algo novo no RS. São os mesmos partidos que colocaram o Estado nas dificuldades que estamos enfrentando hoje — destacou.
Ao final, demonstrando cordialidade, os oito candidatos ficaram lado a lado, posando para uma fotografia oficial do debate.



