
Fotografia é sentimento
(Por Francisco Tuia Haigert – São Francisco de Assis – RS) Vocês também têm uma sensação incessante de que estamos sempre deixando de aproveitar a vida? Hoje eu estava correndo, como sempre, apressado pra mais um compromisso, quando cruzei o olhar com essa árvore.
De imediato fiz o óbvio: segui em frente. Porém, não sei como, nem por que, alguns metros à frente, meus pé simplesmente frearam o carro. Fiquei alguns segundos parado, no meio da rua, despreocupado se estaria atrapalhando o pacato trânsito da cidade.
Engatei a marcha, estacionei e notei que essa imagem não era mesmo algo comum. Saí do carro com a câmera em punho, configurei ela e fiz apenas uma foto, já era o bastante. Ao olhar pra trás, haviam três pessoas me cuidando do outro lado da rua. Perguntei se haviam notado o coração na árvore.
Intrigados, disseram que desde que derrubaram a árvore, diariamente lamentavam não ter mais a sombra e a robustez que há tantos anos embelezavam a rua… Porém, nunca tinham notado o tal coração.
Perguntaram se eu era da cidade. Respondi que sim e, naturalmente, como sempre faço, dei as coordenadas genealógicas para saberem de onde vim. Contaram uma história do meu pai e lamentaram a partida da minha mãe.
Saí de lá nesse momento, mas não sem antes dar mais uma olhada na beleza que a natureza me proporcionou. Há momentos que deixamos passar, mas não precisam ser todos. Mais uma vez, aprendi que mesmo derrubados e praticamente sem força, podemos, ainda assim, demonstrar amor.




