Quando o “bom moço” mata: por que os feminicídios crescem mesmo com penas cada vez mais duras?

Uma reportagem especial que enfrenta as perguntas que ninguém gosta de fazer

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(por João Lemes) Se a lei aperta, por que não diminui? Se o sujeito é calmo na rua, por que vira assassino em casa? E até a pena de morte resolveria?

O debate sobre feminicídio voltou com força porque os números crescem, mesmo com penas mais altas, investigações mais rápidas e condenações que chegam a 40, 50 e até 60 anos. A sociedade pergunta por que, por que, por que, por que. Por que as mortes seguem? Por que o sujeito “tranquilo” explode? Por que o endurecimento da lei não segura o avanço? E por que parte dos crimes pega todo mundo de surpresa, menos a vítima? Esta reportagem reúne perguntas diretas e respostas objetivas com base em estudos e padrões que se repetem em todo o país.

A seguir, 12 perguntas essenciais para entender o que acontece dentro de casa, longe das câmeras e dos vizinhos.

1) Por que os feminicídios continuam crescendo, mesmo com penas mais duras?
Porque o que freia crime não é o tamanho da pena, é a certeza de punição. O sujeito acha que não vai ser preso, que a polícia não vai chegar, que ninguém vai acreditar na mulher.

2) A lei Maria da Penha não diminuiu o problema?
Ela ajudou a denunciar, mas não resolve sozinha a origem do ciclo violento. O Estado ainda chega tarde.

3) Mas por que a sociedade acha que esses sujeitos eram “boas pessoas”?
Porque eles são violentos só dentro de casa. Na rua, mantêm máscara de calma. A violência é seletiva.

4) Ele realmente “mudou de repente”?
Não. A maioria tem histórico de controle e agressões anteriores. O crime é o final de uma escada.

5) Se ele trata bem os outros, por que trata mal a mulher?
Porque com ela ele tem domínio. Onde existe poder, aparece a violência que não surge no público.

6) O que aciona o feminicídio?
A perda de controle sobre ela: separação, ciúme, humilhação, abandono. É gatilho clássico.

7) O agressor perde totalmente o controle na hora?
Não. Ele perde o controle sobre ela, não sobre si. É um ato de domínio, não um “surto”.

8) Por que medidas protetivas nem sempre funcionam?
Porque exigem resposta rápida e fiscalização constante. Sem isso, viram papel.

9) A cultura tem influência?
Tem. A ideia de posse está no centro de quase todos os casos.

10) Problema mental explica esses crimes?
Só em minoria. A maior parte não age em delírio. É escolha violenta dentro de um padrão.

11) Aumentar a pena ajudaria?
Pouco. Se ele acha que não será punido, o número de anos não importa. Prevenção é o que conta.

12) E a pena de morte? Resolveria?
Não. Países que adotam pena de morte não têm feminicídios menores. O crime nasce de emoção doentia, posse e impulsividade, não de cálculo racional.

Fontes consultadas:
– Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) – Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024
– ONU Mulheres – Estudos sobre violência de gênero e padrões globais de feminicídio
– Ministério da Justiça e Segurança Pública – Dossiê de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.

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