
O coronel de artilharia do Exército, Jean Lawand Júnior, afirmou em depoimento à CPI do 8 de Janeiro que nunca pediu por uma ruptura institucional, mas sim por uma ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro para “apaziguar” o país após as eleições de 2022. Lawand teve suas conversas com o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência sob Bolsonaro, interceptadas pela Polícia Federal durante uma investigação sobre possíveis tentativas de golpe envolvendo oficiais de alto escalão das Forças Armadas.
- As mensagens apreendidas revelaram um plano elaborado por Lawand em oito etapas, no qual as Forças Armadas tomariam o comando do país antes da posse do presidente Lula da Silva, evitando sua assunção ao cargo. No entanto, Lawand afirmou na CPI que suas mensagens eram conversas privadas e que a “ordem” mencionada era para que Bolsonaro “apaziguasse” a situação nas ruas do país.
Lawand negou ter falado sobre um golpe e afirmou que em nenhum momento tentou atentar contra a democracia brasileira ou agredir as instituições. Ele admitiu ter feito comentários infelizes sobre a adesão do Exército às ordens de Bolsonaro, mas ressaltou que não tinha acesso a informações do alto escalão e que não poderia falar em nome deles.
Durante as conversas interceptadas, Lawand mencionou que o Exército agiria prontamente se Bolsonaro desse a ordem, mas não atuaria de modo próprio. Esses diálogos foram interpretados pela relatora da CPI, senadora Eliziane Gama, como uma tentativa de intervenção militar.
Lawand é formado na Academia Militar das Agulhas Negras, assim como Bolsonaro, e recebeu condecorações durante o governo do ex-presidente. Ele afirmou que não tinha condições de articular um golpe de Estado contra o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e classificou os eventos ocorridos posteriormente, como tentativas de invasão às sedes dos Poderes da República, como coincidências.
A CPI do 8 de Janeiro foi criada para investigar os ataques aos Poderes da República ocorridos em 8 de janeiro de 2023.(GZH)



