Desde o final do ano passado, o santiaguense Giovani Pasini está morando em Olinda (Pernambuco), onde atua como major do Exército. E de 05 a 11 de maio, ele participou de uma atividade militar em um ambiente que só conhecia pelos livros, como “Os Sertões” de Euclides da Cunha. Durante seis dias, Pasini e outros colegas viveram em meio a caatinga do sertão, um território hostil, infrutífero e seco. Veja o relato de Pasini:
Posso afirmar, com toda a certeza, que essa foi a situação mais difícil que já passei em toda a minha carreira militar. Emagreci 5 quilos e quase tive alucinações com o calor (também pudera! Um gaúcho no sertão…). A maior dificuldade foi a falta de água e o calor. O sertão nordestino é algo inexplicável! É um ambiente hostil ao homem, mas os sertanejos conseguem sobreviver nesse local.
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| Pasini comendo o cacto Mandacaru |
Numa segunda fase tivemos a alucinante sobrevivência. Ela ocorreu de quarta até sexta, no meio do sertão, onde recebemos apenas um cantil com água (para 9 pessoas) três palitos de fósforos e alguns outros poucos materiais. Passei quase dois dias inteiros comendo diversos tipos de cactos (e sentindo, talvez, o que sentiram os soldados que combateram Antônio Conselheiro, em Canudos, no final do XIX).
O calor do sertão é insuportável. Algo que não tenho como descrever… mas vou tentar: o corpo sua, o coração bate acelerado, a boca fica seca, os lábios racham. Entre 10 de 15 horas você não consegue ficar em pé. Se encontrar qualquer água barrenta irá disputar com os animais o gole do poço marrom.
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