Seria o adeus à gotinha?

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O Ministério da Saúde quer substituir a gotinha de reforço da vacina da poliomielite para um esquema totalmente injetável.

A ideia é alinhar a rotina vacinal brasileira com as recomendações internacionais e reduzir a circulação do vírus da poliomielite. Atualmente, o esquema vacinal da pólio utiliza três doses injetáveis e apenas o reforço é administrado por meio das gotinhas.

A transição para o esquema totalmente injetável já vem ocorrendo gradualmente, com mudança completa a partir do próximo ano. Apesar da substituição das gotinhas, o mascote “Zé Gotinha” continuará sendo o símbolo do Programa Nacional de Imunizações.

A justificativa para a eliminação das gotinhas é embasada em evidências científicas consistentes, pois a versão injetável utiliza o vírus inativado, enquanto as gotinhas utilizam uma versão atenuada do vírus, que acaba sendo eliminada no meio ambiente por meio das fezes das crianças.

  • O esquema vacinal atual é composto por injeções administradas aos dois, quatro e seis meses de idade, seguidas pelo reforço oral aos 15 meses e aos quatro anos.

No entanto, a supressão das gotinhas é objeto de ponderações, uma vez que alguns especialistas levantam a preocupação de que a transição para doses injetáveis possa reduzir ainda mais a cobertura vacinal. No ano passado, a cobertura vacinal contra a poliomielite no Brasil atingiu apenas 77,1%, muito abaixo da meta de 95%. Além disso, há a dificuldade de obter um número suficiente de doses injetáveis no mercado.

Especialistas ressaltam que, embora haja recomendações de organismos internacionais para a transição, é necessário cautela, considerando os atuais índices de cobertura vacinal. A suspensão do uso da vacina oral da poliomielite é um tema controverso que divide opiniões.

A Organização Mundial da Saúde sugere que os países sejam cuidadosos ao suspender o uso da vacina oral, especialmente em locais com baixa cobertura vacinal, como é o caso do Brasil.

O Ministério da Saúde afirma que as estratégias de vacinação adotadas no país levam em consideração avanços tecnológicos e novas evidências científicas, sempre discutidas no âmbito da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (CTAI). A substituição da vacina oral contra a poliomielite por uma versão mais aprimorada do reforço totalmente injetável está em análise. (GZH)

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