
O isolamento social acentuou as crises de ansiedade
Santiago – O Setembro Amarelo é voltado à prevenção ao suicídio e a jornalista Sandra Siqueira ouviu a assistente social do Judiciário, Kelin Pinheiro, pós-graduada como Educadora Parental em Disciplina Positiva e presidente do CVV – Centro de Valorização à Vida. Também participou a psicóloga Bibiana Palmeiro, (coordenadora do Caps Nossa Casa) pós-graduada em Saúde Pública e mestre em Promoção da Saúde.
A pessoa vai morrendo aos poucos, definhando e perdendo o gosto pela vida
A psicóloga Bibiana disse que o Setembro Amarelo ganhou proporções mundiais, mas que a preocupação com os altos índices de suicídio precisa ser discutida o ano todo, com acolhimento. “O que nos preocupa mais são esses processos de morrência. A pessoa vai morrendo aos poucos, definhando e perdendo o gosto pela vida, a motivação pelas coisas, pelo trabalho e pelas relações. E quem de nós nunca passou por algum conflito existencial?” Ela também comentou que o isolamento social acentuou esse problema, com crises de ansiedade, fobia…

É grande o número de adolescentes que tenta se isolar
O Setembro Amarelo também desmistifica alguns tabus como esse: ‘quem quer se matar, se mata’. “É verdade, se mata sim, embora nem todos anunciem essa pretensão. Há momentos comportamentais significativos que devem acender o alerta. Outro problema é o grande número de adolescentes que buscam o isolamento. “Muitas vezes falta atenção familiar de pai e mãe. Ou a origem está na desestruturação do lar.”
A tristeza é o mesmo que depressão?
O primeiro é um sentimento normal, como em caso de luto. A depressão é uma tristeza mais prolongada, com a mudança de hábitos. Kelin preside o CVV em Santiago e alerta que a vontade de acabar com a vida é uma vontade de acabar com a dor. “Na maioria das vezes, a pessoa não quer morrer, apenas cessar aquela dor”.
“Se tu fizer assim, ninguém vai gostar de ti. Faz isso pra titia gostar”
Quanto aos casos de suicídios envolvendo youtubers e criadores de conteúdo, ela diz que o problema está na educação que damos aos filhos para o mundo exterior. “Se tu fizer assim, ninguém vai gostar de ti. Faz isso pra titia gostar, come pra mamãe ficar feliz… Então, quando todo mundo na rede social diz que me odeia, isso vai me doer. Se eu internamente não me curto, não me dou os likes, o que vem do outro me afeta”, diz ela.

Hora de Esperançar: Precisamos de alguém que nos escute
A psicóloga Bibiana explicou que a campanha do Setembro Amarelo é voltada ao esperançar, no sentido de que a pessoa que está passando por um sofrimento existencial perceba que existe esperança. Se tem vida, tem jeito e pode buscar novos caminhos. Às vezes, a pessoa não consegue sozinha. Aí que entra nossa ajuda através dos diversos serviços da rede de saúde (Caps), que faz o acolhimento. “Sempre que há uma tentativa de suicídio, é tratada com prioridade por nossa rede de saúde mental. Busque ajude. Muitas vezes precisamos de alguém que nos escute.”
Muitos casos são de mulheres que trabalham o dia inteiro
Kelin diz que não se deve dar atenção apenas para quem está “na cama”, mas também para quem trabalha o dia inteiro e guarda os problemas para si. Muitos dos atendimentos do CVV são de mulheres que trabalham o dia inteiro, cuidam dos filhos e da casa. E como a família pode ajudar nestes casos? Talvez silenciando a televisão, saindo do celular e perguntando um para o outro: ‘como tu está?’
CVV: É preciso ouvi-la com olhos, ouvidos e o coração
O CVV funciona 24 horas pelo fone 188 e está aberto para receber novos voluntários, já que poucos se dispõe a ajudar durante a madrugada. Quando uma ligação é recebida, a pessoa quer compartilhar algo interno dela. Ou até uma alegria. É preciso ouvi-la com olhos, ouvidos e o coração. Também é possível entrar no chat do CVV, através do site cvv.org.br e clicar no ícone chat.



