
Santiago – Católicos e evangélicos tem lá as suas diferenças, seus fervores ideológicos, sua forma de professar a fé. Mas seja uma missa, ministrada por um padre, ou um culto, liderado por um pastor, as semelhanças são muitas e todos seguem os evangelhos, reconhecem a cruz como um símbolo da fé. Na vida em comunidade, então, pouca coisa no comportamento os diferencia.
Por sua vez, os seguidores da doutrina das Testemunhas de Jeová são diferentes em suas práticas religiosas e condutas pessoais. E a jornalista Sandra Siqueira recebeu em seu programa “A Pauta é”, dois representantes da congregação: Moacir Dal Molin e Rogério Pereira Teixeira, que são chamados de anciãos, mas não há uma hierarquia, todos estão em condições de igualdade, alguns com mais tempo de estudo e entendimento bíblico.
Mas não fazem da sua função religiosa uma profissão. Os dois trabalham como representantes comerciais, e não são remunerados pela igreja e até contribuem financeiramente, assim como os demais integrantes. E não existe dízimo e nem obrigatoriedade de realizar algum pagamento. A pessoa contribui como pode e o valor serve para bancar os custos de manutenção da sede e também de promover ações sociais para os necessitados.
Conforme Moacir, Jeová é o nome de Deus e essa religião vem dos primórdios da história, antes do nascimento de Cristo, que é reconhecido como filho de Jeová. Eles são considerados como “testemunhas” da fé. As Testemunhas de Jeová não usam a simbologia da cruz, porque dizem que ela não existiu. Moacir diz que Jesus teria sido pregado a um poste.
Sem feriados religiosos
Por considerar o sacrifício de Jesus, enviado por Jeová como prova de seu amor e para redimir os homens do pecado, as Testemunhas de Jeová celebram apenas a Páscoa e nenhum outro feriado religioso. Ou seja: nada de Natal ou qualquer outro dia santo. Essa prática de não comemoração inclui também os aniversários. Segundo eles, o bolo, o soprar de velas e as reuniões são típicas de religiões pagãs e simbolizam práticas muito antigas. “No dia em que comemorava o seu aniversário, Herodes mandou decapitar a cabeça de João Batista”, ressalta Moacir.
Número de seguidores
Em comparação com outras congregações, as Testemunhas de Jeová são poucos em Santiago, em torno de 120 pessoas. Mas no mundo somam mais de 8 milhões, em 239 países. Em Santiago, o templo está localizado na rua Independência, 1849. As reuniões acontecem às quartas e sábados.
Sem doar, nem receber sangue
Quem olha de fora se espanta do fato das Testemunhas de Jeová não doarem sangue e nem aceitarem a transfusão. Rogério diz que essa recomendação é bíblica e se baseia em estudos que eles fazem das escrituras. “Não se deve fazer uso do sangue nem para tratar a saúde e nem para se alimentar”, afirma. Ou seja, o churrasco precisa ser sempre bem passado.

Como fazer parte?
Rogério e Moacir ressaltam que ninguém nasce “Testemunha de Jeová”, mas pode se tornar. Uma criança ou alguém que seja convidado ou queira entrar, precisa estudar as escrituras com dedicação, ser batizado e seguir os preceitos. Eles incluem levar uma vida ilibada, não se aventurar fora do casamento, nem se relacionar com pessoa do mesmo sexo (homossexualidade).
Contra as armas
As Testemunhas de Jeová não aceitam o uso de armas de fogo, algo que se tornou até comum para outras religiões cristãs. Rogério explica: “na Segunda Guerra Mundial, nossa religião se opôs a Hitler e mais de 1.500 testemunhas de Jeová foram mortas. Porém, elas poderiam ter sido poupados se assinassem um documento renegando a sua fé. E ninguém assinou”, afirma. “Nossa única arma é a Bíblia”.



