
Roberto Olinto afirma sentir vergonha de metodologia usada no levantamento e contesta confiabilidade dos dados coletados
O ex-presidente do IBGE, Roberto Olinto, disse defender uma ampla auditoria no Censo 2022. Segundo ele, a publicação de dados preliminares expõe a “tragédia absoluta” que se abateu sobre o questionário.
“Eu sinto vergonha disso. O Censo é para ser levantado em 2 meses, e nós estamos no meio de janeiro e não terminou”, disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. A coleta de dados para o Censo começou em agosto de 2022.
“Tem só metade dos recenseadores. O IBGE pedindo para a prefeitura do Rio botar agente de saúde para coletar Censo. O cara não foi treinado, ele não sabe o que está fazendo. Tragédia absoluta”, declarou Olinto.
“Saem os resultados preliminares. Coisas absolutamente inexplicáveis.” O ex-presidente do IBGE explicou que foram imputados dados para quase 20% da população, quando o usual é para 2%. “Imputar dado é você dizer: eu não tenho dados para 20% da população e vou usar um processo que normalmente se usa para 2%”, disse.
Nenhum Censo cobre 100% da população, mas você tem uma alta cobertura. E tem problemas em algumas variáveis. Renda, população, idade. Não é uma coisa do tipo ‘eu não tenho informação de metade do município’. E o que estão fazendo? Estão imputando questionários inteiros”, criticou.



